PEC que acaba com a escala 6×1 avança na Câmara e vai à CCJ

O presidente da Casa afirmou que a construção do texto será feita com diálogo entre diferentes setores da sociedade
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A Proposta de Emenda à Constituição que prevê o fim da escala de trabalho 6×1 deu um passo importante nesta segunda-feira (9). O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), encaminhou o texto para análise da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

A medida abre oficialmente o debate sobre a redução da jornada semanal de trabalho no Brasil.

Câmara promete ouvir trabalhadores e empregadores

De acordo com Motta, após a análise inicial da CCJ, a proposta seguirá para uma comissão especial, onde deverá passar por discussões mais aprofundadas.

O presidente da Casa afirmou que a construção do texto será feita com diálogo entre diferentes setores da sociedade, buscando equilíbrio entre produtividade, economia e qualidade de vida dos trabalhadores.

Segundo ele, as mudanças no mercado de trabalho exigem atualização da legislação brasileira.

Proposta unifica textos de parlamentares da base e da oposição

O texto que começa a tramitar reúne ideias apresentadas pela deputada Erika Hilton (PSOL-SP) e pelo deputado Reginaldo Lopes (PT-MG). A unificação das propostas tem como objetivo acelerar a tramitação e evitar sobreposição de debates.

A iniciativa ganhou força após mobilização nacional liderada pelo Movimento Vida Além do Trabalho, que pressionou o Congresso com um abaixo-assinado que ultrapassou 1,5 milhão de assinaturas.

Jornada semanal pode cair para quatro dias de trabalho

A PEC propõe mudanças diretas na Constituição Federal, alterando o trecho que trata dos direitos trabalhistas. Caso aprovada, a nova regra estabeleceria:

  • limite de até 8 horas por dia;
  • carga máxima de 36 horas semanais;
  • semana de trabalho com quatro dias e mais tempo de descanso.

O texto prevê um período de adaptação de até 360 dias após a promulgação.

Governo Lula vê proposta com bons olhos

Integrantes do governo federal e partidos aliados já manifestaram apoio à redução da jornada. O encaminhamento da PEC é interpretado nos bastidores como um gesto de alinhamento entre a presidência da Câmara e o Palácio do Planalto.

No Senado, uma proposta semelhante já avançou na CCJ, mas ainda aguarda inclusão na pauta do plenário.

Executivo avalia caminho mais rápido para aprovação

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, afirmou que o governo trabalha para que o tema seja votado ainda em 2026.

Segundo ele, existe a possibilidade de envio de um projeto de lei com regime de urgência, o que reduziria o tempo de tramitação em relação a uma PEC.

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