Inquérito das fake news avança após Moraes mandar investigar vazamento de dados na Receita

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, determinou a apuração de um possível acesso irregular a dados da Receita Federal do Brasil envolvendo integrantes da Corte e familiares
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O Inquérito 4.781 — conhecido como inquérito das fake news — teve novos desdobramentos nesta terça-feira (17).

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, determinou a apuração de um possível acesso irregular a dados da Receita Federal do Brasil envolvendo integrantes da Corte e familiares.

A medida amplia o alcance de uma investigação que já se aproxima de sete anos.

O que investiga o inquérito

Sob relatoria de Moraes, o procedimento apura a disseminação de conteúdos falsos, comunicações fraudulentas de crimes, denunciações caluniosas, ameaças e ataques organizados contra ministros do Supremo.

Com o passar do tempo, o caso se desdobrou em outras frentes investigativas relacionadas à atuação de redes digitais contra a Corte.

Investigação gera debate político

Desde sua abertura, o inquérito divide opiniões no meio político e jurídico. Setores da direita criticam a condução das apurações e apontam possíveis riscos à liberdade de expressão.

Já apoiadores da investigação defendem que a medida é necessária para enfrentar campanhas de desinformação e proteger as instituições democráticas.

Como o caso começou

O Inquérito 4.781 foi instaurado em março de 2019 pelo então presidente do STF, Dias Toffoli, que designou Moraes como relator.

Na origem, a investigação mirava o chamado “gabinete do ódio”, grupo que teria atuado durante a campanha presidencial de Jair Bolsonaro em 2018.

Principais nomes já citados

Ao longo dos anos, empresários, influenciadores e políticos passaram a ser investigados no inquérito. Entre os nomes mencionados nas apurações estão:

  • Daniel Silveira;
  • Carla Zambelli;
  • Bia Kicis;
  • Allan dos Santos;
  • Oswaldo Eustáquio.

O processo permanece sob sigilo, e o total de investigados não foi divulgado oficialmente.

Nova frente: vazamento de dados

Na fase mais recente, Moraes ordenou diligências para apurar consultas indevidas a dados fiscais de ministros do STF e parentes.

Uma operação da Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão e aplicou medidas cautelares contra suspeitos em três estados.

Auditoria ampla na Receita

O ministro também determinou que a Receita Federal faça um pente-fino nos registros de acesso envolvendo:

  • os atuais ministros do STF;
  • cônjuges;
  • filhos;
  • irmãos;
  • ascendentes.

A previsão é que o relatório seja entregue após o Carnaval.

Suspeitas sob análise

As apurações apontam que o sigilo fiscal da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, teria sido acessado sem autorização.

Também há indícios de consulta irregular à declaração de Imposto de Renda do filho de outro integrante da Corte.

A investigação busca identificar quem realizou os acessos e se houve vazamento de informações para terceiros.

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