A Polícia Civil do Amazonas prendeu oito pessoas no Amazonas durante a operação que investiga um suposto “núcleo político” ligado ao Comando Vermelho. Ao todo, 14 investigados foram presos em diferentes estados.
Segundo a investigação, o grupo utilizava influência em órgãos públicos para obter informações sigilosas e facilitar a atuação da organização criminosa. O esquema teria movimentado cerca de R$ 70 milhões desde 2018.
Quem são os presos no Amazonas
De acordo com a polícia, estes são os investigados presos no estado:
- Izaldir Moreno Barros – servidor do Tribunal de Justiça do Amazonas. A suspeita é de que recebia pagamentos para repassar dados de processos em segredo de Justiça.
- Adriana Almeida Lima – ex-secretária de gabinete de liderança na Assembleia Legislativa do Amazonas. Relatórios apontam movimentações financeiras milionárias vinculadas ao grupo.
- Anabela Cardoso Freitas – investigadora da Polícia Civil e integrante da Comissão de Licitação da Prefeitura de Manaus. Foi chefe de gabinete do prefeito David Almeida. Segundo a apuração, teria movimentado cerca de R$ 1,5 milhão para a facção por meio de empresas de fachada.
- Alcir Queiroga Teixeira Júnior – apontado como participante do núcleo financeiro responsável por movimentações suspeitas.
- Josafá de Figueiredo Silva – ex-assessor parlamentar de vereador, citado como integrante da rede de influência do grupo.
- Osimar Vieira Nascimento – policial militar preso sob suspeita de envolvimento com o esquema.
- Bruno Renato Gatinho Araújo – incluído entre os investigados por participação na estrutura criminosa.
- Ronilson Xisto Jordão – preso em Itacoatiara (AM) por suposta ligação com o grupo.
Mandados e alcance da operação
Além das prisões, a Justiça autorizou 24 mandados de busca e apreensão, bloqueio de contas, sequestro de bens e quebra de sigilo bancário.
As ordens são cumpridas em Manaus e também em cidades do Pará, Minas Gerais, Ceará, Piauí e Maranhão. A polícia identificou conexões financeiras do grupo em vários estados
Como funcionava o esquema
Conforme a investigação, a organização utilizava empresas de fachada, principalmente nos setores de transporte e logística, para viabilizar a compra de drogas na Colômbia.
Os entorpecentes eram enviados para Manaus e, posteriormente, distribuídos para outras unidades da federação. A polícia afirma que o grupo atuava com divisão de tarefas em núcleos operacional, financeiro e logístico.
Também foram identificados:
- uso de rotas fluviais e terrestres;
- veículos alugados em nome de terceiros;
- empresas com funcionamento apenas documental para ocultar valores ilícitos.
Origem das investigações
A apuração começou após a apreensão de 500 tabletes de maconha tipo skunk, sete fuzis de uso restrito, duas embarcações, um veículo utilitário e celulares. Um suspeito foi preso em flagrante na ocasião.
A partir desse material, a Polícia Civil passou a mapear financiadores, operadores logísticos e possíveis colaboradores do esquema.
Relatórios de inteligência financeira indicaram movimentações bancárias consideradas incompatíveis com a renda declarada dos investigados. Há ainda indícios de tentativa de acesso indevido a informações sigilosas para antecipar ações policiais e judiciais — ponto que segue sob investigação.
Crimes investigados
Os investigados poderão responder por organização criminosa, associação para o tráfico de drogas, corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro, ocultação de patrimônio e violação de sigilo funcional.
As defesas dos citados ainda não haviam se manifestado até a última atualização.