A política no Amazonas raramente anuncia seus movimentos de forma direta. Ela insinua. E o vídeo de Marcos Rotta é exatamente isso, uma sinalização. Ao dizer que está pronto para o futuro, Rotta não fala apenas de disposição pessoal. Ele fala de projeto. Fala de 2026. E fala de alinhamento. Rotta é hoje o homem de confiança de David Almeida dentro da Prefeitura. Não ocupa apenas um cargo técnico. Está no centro das decisões administrativas e políticas. Quando ele se coloca como pronto, o gesto não é isolado. Há duas camadas nesse movimento. A primeira é interna. O Avante já o apresenta como nome ao Senado. Isso ajuda a consolidar o desenho de uma eventual candidatura de David Almeida ao Governo.
Se Almeida sair candidato, precisará de um palanque forte, com nomes competitivos nas vagas majoritárias. Rotta cumpre esse papel. A segunda camada é partidária. O convite do PDT, feito por Carlos Lupi, mostra que Rotta não é peça restrita a um grupo. Ele é ativo político disputado. Invicto em eleições, com recall consolidado desde os tempos do programa “Exija seus Direitos”, mantém base popular e trânsito entre lideranças. Nos bastidores, o que poucos comentam é o seguinte. Rotta serve também como termômetro. Se ele permanecer firme no Avante, sinaliza que o projeto estadual de David Almeida está mantido. Se migrar para o PDT, pode indicar rearranjo mais amplo, inclusive com redesenho de alianças para 2026. Outro ponto relevante. A Casa Civil é o núcleo estratégico da Prefeitura. Quem ocupa esse espaço controla articulação política, relação com vereadores e interlocução com deputados.
Ao se colocar como pré-candidato, Rotta também testa a reação da base, mede apoios e identifica resistências. Nada foi decidido publicamente. Mas o calendário é claro. Se David Almeida disputar o Governo, terá de deixar o cargo em 2026. E, nesse cenário, cada movimento agora é preparação. Rotta não é novato. Começou no grupo de Amazonino Mendes, passou por diferentes gestões e sobreviveu a ciclos políticos distintos. Não age por impulso. O “tô pronto” não é frase solta. É aviso de que a engrenagem começou a girar. E, quando a Casa Civil entra no jogo, significa que o projeto já saiu da conversa reservada e passou para a fase de construção concreta. Em política, às vezes a frase mais simples é a mais estratégica.
Coluna — Davidson Cavalcante