A Justiça da Paraíba condenou o influenciador Hytalo Santos e seu marido, Israel Vicente — conhecido como Euro — por envolvimento na produção de material pornográfico com crianças e adolescentes. A decisão foi assinada no último sábado (22) e determina penas de prisão para o casal.
O caso ganhou grande repercussão nacional por envolver exposição de menores nas redes sociais.
Condenação e fundamento legal
Na sentença, Hytalo foi condenado a 11 anos e quatro meses de reclusão, enquanto Israel Vicente recebeu pena de 8 anos e dez meses.
A decisão teve como base o artigo 240 do Estatuto da Criança e do Adolescente, que criminaliza a produção, registro ou divulgação de conteúdo pornográfico envolvendo menores de idade.
A norma prevê agravantes quando há relação de autoridade, convivência ou confiança com as vítimas — circunstâncias consideradas no processo.
Grupo de menores vivia com o casal
As investigações apontam que os jovens integravam a chamada “Turma do Hytalo” e moravam na residência do casal, em João Pessoa, com autorização dos responsáveis.
Segundo o Ministério Público, vídeos com danças de teor sensual eram gravados e publicados em plataformas digitais com foco em engajamento e monetização. Moradores do condomínio também relataram à polícia a realização de festas com consumo de álcool e presença dos menores.
Defesa aponta preconceito no julgamento
Os advogados dos influenciadores reagiram à condenação afirmando que a decisão teria sido influenciada por preconceito racial e homofóbico.
Em nota, a defesa sustenta que houve estigmatização por Hytalo ser nordestino, negro e homossexual, além de críticas ao universo cultural do brega funk.
A equipe jurídica informou que pretende levar o caso ao Conselho Nacional de Justiça para que seja analisada a atuação do juiz Antônio Rudimacy Firmino de Sousa, responsável pela sentença na comarca de Bayeux.
Um pedido de habeas corpus deve ser apreciado nos próximos dias.
Prisão ocorreu em 2025 e caso ganhou força nas redes
Hytalo e Israel foram presos em São Paulo, em agosto de 2025, e depois transferidos para a Paraíba, onde seguem detidos preventivamente.
O processo passou a ter maior visibilidade após um vídeo do youtuber Felca denunciar a chamada adultização de menores nas redes sociais.
A publicação viralizou e ampliou o debate público sobre limites da exposição infantil no ambiente digital.
Processo ainda pode ter recursos
Apesar da condenação em primeira instância, a defesa ainda pode recorrer da decisão. O caso continua em tramitação na Justiça paraibana e deve ter novos desdobramentos.
A situação reacende o alerta sobre proteção de crianças e adolescentes na internet e a responsabilidade de criadores de conteúdo nas plataformas digitais.