A Acadêmicos de Niterói, estreante no Grupo Especial do Carnaval do Rio de Janeiro, levará para a Marquês de Sapucaí um enredo inspirado na trajetória política e pessoal do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O desfile, marcado para a abertura oficial do Carnaval 2026, contará com a presença de ministros, aliados do governo federal e da primeira-dama Janja da Silva.
A participação de autoridades no desfile ampliou o debate político em torno da apresentação e motivou questionamentos na esfera eleitoral.
Autoridades vão desfilar no último carro ao lado da primeira-dama
O último carro alegórico reunirá integrantes do primeiro escalão do governo e figuras históricas ligadas ao PT. Todos desfilarão em uma estrutura próxima ao chão, ao lado de Janja, com figurino padronizado.
Estão confirmados:
- Macaé Evaristo (Direitos Humanos)
- Alexandre Padilha (Saúde)
- Margareth Menezes (Cultura)
- Fernando Haddad (Fazenda)
- Esther Dweck (Gestão e Inovação)
- Camilo Santana (Educação)
- Guilherme Boulos (Secretaria-Geral da Presidência)
- Jader Filho (Cidades)
- Sonia Guajajara (Povos Indígenas)
- Rui Costa (Casa Civil)
- Gleisi Hoffmann (ex-Secretaria-Geral da Presidência)
Nos bastidores, há relatos de que Margareth Menezes deve chegar ao Rio após cumprir agenda em Salvador no sábado de Carnaval. Fernando Haddad, por sua vez, não pretende desfilar ativamente, optando por acompanhar a apresentação ao lado do presidente.
As informações foram obtidas pela coluna GENTE, da Veja.
Figurino será igual para todos e já está em produção
A escola definiu um visual único para os integrantes do carro: calça branca, blusa azul, blazer branco e calçado branco. As medidas dos participantes já foram encaminhadas à equipe de confecção, que iniciou a produção das fantasias.
Enredo narra trajetória de Lula do Nordeste à Presidência
Com o título “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, o enredo propõe um percurso simbólico pela história de Lula, desde a infância no interior de Pernambuco, passando pela militância sindical e os principais momentos de sua vida pública, até o atual mandato presidencial.
O tema ganhou repercussão nacional após o primeiro ensaio técnico da escola, realizado no fim de janeiro.
Senadora aciona Ministério Público Eleitoral
A escolha do enredo levou a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) a protocolar representação no Ministério Público Eleitoral. Para a parlamentar, o desfile pode caracterizar propaganda política antecipada, uma vez que ocorre em ano pré-eleitoral e envolve exaltação de uma liderança política em espaço de grande visibilidade.
Repasse de verba pública é citado na denúncia
A ação também questiona o uso de recursos públicos no desfile. A senadora menciona o repasse de R$ 1 milhão à Acadêmicos de Niterói, oriundo de convênio entre a Embratur e a Liesa, que destinou valores iguais às escolas do Grupo Especial.
Segundo a representação, o financiamento reforça a necessidade de análise por parte da Justiça Eleitoral.
Letra do samba é apontada como conteúdo político
Outro ponto levantado envolve trechos do samba-enredo que fariam referências políticas diretas. Versos interpretados como críticas a adversários do presidente, incluindo menções a “mitos falsos” e à rejeição à anistia, foram destacados na ação apresentada ao MPE.
Presidente da escola é exonerado da Alerj
Em meio à repercussão do enredo, o presidente da Acadêmicos de Niterói, Wallace Palhares, foi exonerado do cargo de assistente parlamentar na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). A decisão foi formalizada por ato administrativo, sem divulgação pública de justificativa detalhada.
A exoneração ocorreu no mesmo período em que o enredo sobre Lula ganhou maior projeção nacional.
Escola ainda não comentou a ação
A Acadêmicos de Niterói, fundada em 2018 e campeã da Série Ouro em 2025, ainda não se manifestou oficialmente sobre a representação apresentada ao Ministério Público Eleitoral. Enquanto isso, o desfile segue como um dos mais comentados e politizados do Carnaval 2026.