Delegado revela como CV usava servidores para vazar dados sigilosos no AM

As revelações foram feitas pelo delegado Marcelo Martins, responsável pela megaoperação deflagrada nesta sexta-feira (20)
Redação NC News
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A Polícia Civil do Amazonas detalhou como integrantes do Comando Vermelho (CV) teriam utilizado servidores públicos para obter informações sigilosas e beneficiar o esquema de tráfico de drogas no estado.

As revelações foram feitas pelo delegado Marcelo Martins, responsável pela megaoperação deflagrada nesta sexta-feira (20), que já resultou em 14 prisões em diferentes estados.

Função era “abrir portas” dentro dos órgãos

De acordo com o delegado, a organização criminosa contava com uma rede de colaboradores em órgãos públicos cuja principal função era facilitar o acesso da facção a informações estratégicas.

Segundo ele, servidores teriam recebido pagamentos para repassar dados de processos que tramitavam em segredo de Justiça.

“Em resumo, o papel dessas pessoas era abrir portas da organização criminosa dentro desses órgãos. Então eles, por exemplo, abriram portas perante servidores do Tribunal de Justiça para que, mediante pagamento de propina, fossem vazadas informações sigilosas de processos em segredo de justiça para beneficiar a organização”, disse.

A investigação aponta que o vazamento dessas informações permitia ao grupo antecipar ações policiais e judiciais, reduzindo riscos para a atuação do tráfico.

Influência em diferentes esferas

As apurações indicam que a rede criminosa buscou influência em setores do Executivo, Legislativo e Judiciário.

Ainda conforme o delegado, ex-assessores parlamentares eram utilizados justamente por possuírem trânsito dentro de órgãos públicos, o que facilitava a aproximação com servidores e o acesso a informações restritas.

Esquema movimentou milhões

A Polícia Civil estima que a estrutura criminosa tenha movimentado cerca de R$ 70 milhões nos últimos anos, principalmente por meio de empresas de fachada.

Os investigados poderão responder por organização criminosa, associação para o tráfico, corrupção, lavagem de dinheiro e violação de sigilo funcional.

As defesas dos citados ainda não haviam se manifestado até a última atualização.

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