Acre ocupa a terceira pior posição em perdas de água tratada no país, aponta estudo

Estado desperdiça 62,25% da água produzida e enfrenta desafio crítico para ampliar oferta e reduzir pressão sobre mananciais
Redação NC News
ouça este conteúdo
00:00 / 00:00
1x

O Acre aparece entre os estados com maior desperdício de água tratada no Brasil, segundo o Estudo de Perdas de Água 2025, do Instituto Trata Brasil em parceria com a GO Associados.

A análise, baseada na edição mais recente do Sistema Nacional de Informações em Saneamento, revela que o país perdeu 5,8 bilhões de metros cúbicos de água tratada em um ano, volume capaz de atender cerca de 50 milhões de pessoas.

No cenário nacional, as perdas totais representam 40,31% de toda a água produzida, quase o dobro da meta de 25% prevista pelas normas federais.

O Acre, com índice de 62,25%, fica atrás apenas de Alagoas e Roraima, reforçando a vulnerabilidade da região Norte, que lidera o desperdício com média de 49,78%.

De acordo com o estudo, grande parte dessas perdas decorre de problemas estruturais como vazamentos, falhas na medição e consumos irregulares.

Apenas os vazamentos, classificados como perdas físicas, ultrapassam 3 bilhões de metros cúbicos no país, quantidade suficiente para abastecer por quase dois anos a população que vive em áreas vulneráveis.

No estado acreano, onde redes antigas e baixa capacidade de investimento ainda predominam, o impacto é ainda mais evidente.

Além do prejuízo operacional, o desperdício eleva custos em toda a cadeia de abastecimento. A necessidade de captar mais água para compensar o que não chega aos usuários provoca maior gasto com energia, produtos químicos, manutenção e uso excessivo de infraestruturas já pressionadas.

Para o Acre, que depende de mananciais sensíveis aos efeitos das mudanças climáticas, a situação amplia riscos em períodos de seca e estiagem prolongada.

O levantamento alerta que o desperdício pressiona diretamente os recursos hídricos da região amazônica.

A retirada de água acima da demanda real reduz a disponibilidade em rios e igarapés, que já sofrem com a redução de níveis e eventos extremos mais frequentes.

O estudo lembra ainda que 34 milhões de brasileiros não têm acesso à água tratada, realidade agravada quando parte significativa do volume produzido sequer chega ao destino.

As diferenças entre os estados mostram que os melhores índices estão nas regiões com maior capacidade de investimento e sistemas mais modernizados.

Já locais como o Acre, onde infraestrutura defasada e limitações financeiras persistem, enfrentam desafios maiores para reduzir perdas e garantir segurança hídrica.

De acordo com a projeção do estudo, para estados com índices elevados, o avanço dependeria de investimentos em modernização de redes, redução de vazamentos e fortalecimento da gestão.

Em meio ao agravamento das mudanças climáticas, o relatório reforça que combater perdas não é apenas uma ação de eficiência, mas uma medida urgente para ampliar a oferta, evitar desperdícios e garantir o abastecimento em regiões mais vulneráveis.

 

Carregar Comentários