A Justiça do Amazonas decretou, na quarta-feira (26), a prisão preventiva do médico Humberto Fuertes Estrada, investigado por homicídio qualificado após não atender ao parto de uma gestante de 18 anos em Eirunepé, no interior do estado. O bebê não resistiu após o procedimento.
De acordo com informações apuradas, a gestante deu entrada no Hospital Regional de Eirunepé Vinícius Conrado por volta das 4h da madrugada de sábado (22).
No entanto, Humberto Fuertes, que estava de sobreaviso, não atendeu às ligações da equipe médica.
Somente cerca de cinco horas depois, por volta das 9h, o médico chegou à unidade e realizou o parto, que já não pôde reverter o quadro da criança.
Testemunhas relatam que o bebê teria aspirado fezes e restos de placenta, falecendo cerca de uma hora após nascer.
Câmeras mostram médico em bar antes do parto
Vídeos obtidos pela Polícia Civil mostram Humberto Fuertes em um bar do município pouco antes da madrugada em que deveria atender ao parto.
As imagens registram o médico no “Bar Churrascaria Sabor na Brasa”, entre 23h44 de sexta-feira (21) e 1h48 de sábado (22).
Segundo o delegado Yezuz Pupo, responsável pelo caso, as cenas mostram o profissional conversando com outras pessoas e consumindo bebidas alcoólicas.
Não há confirmação oficial sobre ingestão de álcool.
Após prestar depoimento na delegacia, o médico deixou Eirunepé com destino ao município de Feijó, no Acre.
A polícia afirma ter obtido a lista de passageiros e o comprovante de compra da passagem aérea, o que levantou suspeita de fuga.
“Após a repercussão midiática do fato, o investigado evadiu-se do Município de Eirunepé/AM, mudando-se para Feijó/AC”, declarou o delegado.
Com base nas investigações, a Polícia Civil pediu a prisão preventiva e o afastamento do exercício profissional. O juiz Odílio Neto acatou o pedido.
Entenda a decisão
Na decisão, o magistrado destacou a necessidade da prisão para proteger a ordem pública e evitar risco de fuga.
“A gravidade do crime imputado, unida ao indício de negligência profissional, demonstram que a manutenção do representado em liberdade pode gerar grave perturbação social”, afirmou.
Até esta quinta-feira (27), o médico não foi localizado e é considerado foragido da Justiça.
Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde de Eirunepé informou que a família da gestante está recebendo assistência psicológica e acompanhamento profissional, e que o médico está afastado de suas funções.
“A Prefeitura de Eirunepé reitera seu compromisso com a segurança dos pacientes e com a completa elucidação dos fatos”, diz o comunicado.