Com a chegada de dezembro, inicia-se também o período de recuperação escolar, uma etapa que ainda provoca ansiedade, medo e sensação de fracasso em muitas famílias. Para a educadora e especialista em aprendizagem Anna Dornas, essa visão precisa mudar com urgência.
“A recuperação não é punição, é uma segunda chance real para reconstruir o conhecimento”, afirma. “O aluno não deve carregar culpa. Ele precisa de ferramentas, não de medo.”
Segundo a especialista, o ideal é agir o quanto antes. “Não esperem boletim ou comunicado da escola. O momento certo é agora”, alerta. Revisar conteúdos pendentes e estabelecer uma rotina de estudo diária ajuda a evitar o desespero de última hora e facilita a compreensão do que ficou para trás.
“A família precisa ser aliada. Reforço não é só repetir exercícios. É entender o que o aluno aprendeu, o que não aprendeu e por quê”, explica.
Anna reforça que o apoio profissional deve ser estratégico e focado nas reais necessidades do estudante. “A recuperação só funciona quando sabemos de onde ele partiu e quais lacunas precisam ser preenchidas. Não é quantidade de tarefa, é qualidade de intervenção.”
Quando bem conduzida, afirma a educadora, a recuperação pode ser transformadora. “Recuperação é reconstrução, é crescimento. Quando o foco está no entendimento e não na punição, esse momento se torna uma vitória.”
Para ela, é preciso enxergar a recuperação pelo que ela realmente representa. “A recuperação parece o grande vilão do fim do ano, mas, na verdade, ela é o mocinho dessa história.”
O verdadeiro risco, segundo Anna, está em avançar para o próximo ano letivo sem corrigir lacunas essenciais. “O vilão não é a recuperação. O vilão é seguir adiante sem base, sem compreensão e sem reorganizar o que ficou para trás.”
Ela destaca ainda que a recuperação só cumpre seu papel quando guiada por intencionalidade. “É fundamental ter um profissional qualificado que identifique quais são as grandes lacunas e como atacá-las.”
Para Anna Dornas, a recuperação vai além da revisão de conteúdos: é um momento estratégico para desenvolver rotina, organização e uma nova postura diante dos estudos. “Quando existe mudança de mentalidade e comportamento, a recuperação vira uma mola propulsora para um próximo ano vitorioso”, conclui.