MPSC vai analisar lei que acaba com cotas raciais em universidades de SC

A medida foi aprovada na última sessão do ano, movimentando juristas, entidades e órgãos de fiscalização
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O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) anunciou que iniciará uma análise jurídica sobre a lei aprovada pela Assembleia Legislativa (Alesc) que extingue as cotas raciais nas instituições estaduais de ensino superior e nas universidades privadas financiadas pelo governo.

A proposta, votada na última sessão do ano, provocou forte reação de entidades, juristas e órgãos de controle.

Lei que extingue cotas raciais acende alerta entre órgãos de fiscalização

O texto aprovado pelos deputados estaduais determina o fim da reserva de vagas para estudantes pretos, pardos e indígenas em instituições públicas e privadas que recebam recursos do Estado.

A 40ª Promotoria de Justiça da Capital, integrante do Observatório de Enfrentamento ao Racismo, acompanha a tramitação e deve instaurar um procedimento formal para avaliar se a norma viola princípios constitucionais. O órgão também solicitará parecer ao Centro de Apoio Operacional do Controle de Constitucionalidade (CECCON).

Defensoria Pública vê necessidade de análise aprofundada

A Defensoria Pública do Estado divulgou nota afirmando que o tema demanda atenção especial por envolver garantias constitucionais relacionadas à redução de desigualdades e à promoção da justiça social.

A instituição destacou ainda que não é possível antecipar impactos jurídicos definitivos, já que o projeto depende de sanção ou veto do governador Jorginho Mello (PL).

Governo de SC mantém silêncio sobre o assunto

Procurada, a Secretaria de Estado da Educação informou que não irá comentar a proposta por enquanto. O texto segue agora para avaliação do governador, que pode sancionar integralmente, vetar total ou parcialmente a lei.

O que muda no sistema de cotas

De autoria do deputado Alex Brasil (PL), a lei aprovada proíbe a adoção de cotas raciais em universidades que recebem recursos estaduais. Permanecem autorizadas apenas as seguintes modalidades:

  • Cotas para pessoas com deficiência (PCDs);
  • Critérios socioeconômicos;
  • Reserva de vagas para alunos oriundos de escolas públicas.

O descumprimento das regras pode resultar em multa de R$ 100 mil por edital e na suspensão de repasses estaduais. As punições serão detalhadas em regulamentação prevista para ser publicada em até 90 dias.

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