Por Davidson Cavalcante
O prefeito de Manaus, David Almeida, voltou a jogar com o tempo ao sinalizar que deve falar de política nos próximos dias ou na próxima semana perto do Natal.
Em entrevista coletiva, evitou tratar de alianças para 2026, especialmente da relação com o senador Omar Aziz, e classificou o tema como secundário.
Ao mesmo tempo, prometeu um encontro futuro com a imprensa para responder a qualquer pergunta. O gesto, longe de esfriar o debate, ampliou a curiosidade sobre seus movimentos.
A fala ocorreu durante um encontro de prefeitos realizado em Manaus na última sexta-feira. Antes mesmo de ser questionado, David se antecipou ao assunto eleitoral, indicando que sabe exatamente o peso político do silêncio.
Nos corredores do poder, a leitura é pragmática. O adiamento das respostas, normalmente não é por falta de assunto, mas por estratégia e prudência.
Encontro técnico que ganhou contornos políticos
O evento com prefeitos, embora anunciado com pauta técnica sobre equidade tributária e repasses federais, ganhou contornos políticos.
Não é um tema restrito a Manaus e abriu espaço para interpretações de que David busca ampliar diálogo com o interior, onde ainda não possui base sólida.
O problema foi a pouca adesão. A maioria dos prefeitos não estiveram presentes por agendas já comprometidas segundo os bastidores.
Por outro lado, David atribuiu a baixa adesão ao desconhecimento da pauta. Disse que o tema é complexo e que novas reuniões serão realizadas após a apresentação dos estudos técnicos. A explicação é plausível, mas não elimina a leitura política.
A ausência da bancada federal e, em especial, do senador Eduardo Braga, que chegou a confirmar presença e não apareceu, também foi anotada pelos observadores mais atentos.
O movimento seguinte de Omar Aziz
No dia seguinte, Omar Aziz promoveu seu próprio encontro com prefeitos. Reuniu cerca de 30 gestores e ainda contou com a presença de ex-prefeitos.
O movimento foi interpretado como um recado nas entrelinhas. Omar já se coloca publicamente como pré-candidato ao governo e não pretende deixar espaço para dúvidas.
Esses dois atos, em sequência, funcionaram como um ensaio informal do que pode vir em 2026. De um lado, David Almeida testando terreno e medindo reações.
Do outro, Omar Aziz reforçando capital político e tentando fechar portas antes que o jogo esquente de vez.
Por isso, a prometida fala de David ganha peso. Não se trata apenas de dizer se é ou não candidato, ou de confirmar alianças.
Trata-se de sinalizar rumo. Em política, sobretudo na fase pré-eleitoral, o silêncio também comunica. E quando ele é rompido, normalmente redefine o tabuleiro.
O Amazonas entra, aos poucos, em um período de movimentos mais visíveis. Ainda sem anúncios formais, mas com gestos que dizem muito para quem acompanha os bastidores.
A semana promete. E o que David Almeida disser, ou deixar de dizer, ajudará a entender se estamos diante de uma composição possível ou de um confronto anunciado em 2026.