Omar Aziz ajusta discurso e redesenha estratégia mirando a disputa de 2026 no Amazonas

Senador ajusta narrativa, testa posição no tabuleiro político e busca autonomia para enfrentar a disputa de 2026 em um cenário de polarização e cálculos estratégicos
Redação NC News
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Por Davidson Cavalcante

O senador Omar Aziz ajusta o discurso para 2026 com o cuidado de quem percebe que o ambiente político no Amazonas mudou de temperatura.

A margem de manobra diminuiu e o custo de cada gesto aumentou. Com o relógio eleitoral avançando, surgem também as consultas políticas que circulam primeiro nos grupos de WhatsApp, depois nos círculos empresariais e só por fim chegam aos gabinetes.

São pesquisas encomendadas para orientar estratégia e testar cenários, muitas vezes com a missão silenciosa de moldar narrativas antes mesmo de medir o humor real do eleitor.

Omar leu esses números com a experiência de quem sabe decifrar subtexto. Encontrou ali um sinal que fontes da política local já vinham antecipando nas conversas reservadas.

O bolsonarismo continua presente em Manaus. Não é a onda de 2018 e nem a irrelevância desejada por setores petistas, mas um eleitorado consistente, espalhado por zonas urbanas e bairros periféricos, capaz de influenciar qualquer disputa majoritária no estado.

O pragmatismo de quem antecipa o movimento

Esse dado isolado já reposicionaria qualquer candidatura em construção. No caso de Omar, ele acelera um processo que vinha sendo ensaiado nos bastidores. O movimento é pragmático.

O senador tenta se apresentar em Brasília como uma figura flutuante e sem extremos. É o tipo de ajuste que ocorre quando candidatos começam a medir cada discurso como parte de uma estratégia mais ampla. Não há ruptura, há calibragem.

E a calibragem segue um roteiro conhecido para quem acompanha campanhas no Amazonas. Primeiro, reconhecimento às ações do governo federal. Depois, pequenas distinções para reforçar identidade própria.

Por fim, o discurso de autonomia, que funciona como aviso ao eleitor de que, se eleito governador, ele não será apenas uma extensão de Brasília.

Fontes que circulam pelo Senado afirmam que esse alinhamento calculado de Omar começou após uma série de conversas com aliados locais que monitoram o impacto eleitoral das entregas federais no estado.

O governo Lula tem acelerado obras e anúncios no Amazonas e, na prática, isso deixa pouca margem para o senador entrar na disputa com um discurso de independência plena. Ele sabe que será associado ao governo federal.

A leitura em Manaus e a reconstrução de narrativa

Em Manaus, o novo roteiro também é notado por lideranças políticas e empresariais que mantêm contato frequente com o senador.

Há uma tentativa de reconstrução de narrativa, de reposicionamento no tabuleiro e de diferenciação dos demais nomes que articulam candidaturas para 2026.

Ao mesmo tempo, essa mudança de postura indica que Omar tenta se proteger de um desgaste natural, quando a polarização volta a ganhar força e exige que cada nome se enquadre ou escape de rótulos. A narrativa de flutuação, ainda que controlada, funciona como escape e como teste.

Ela sinaliza que Omar pretende disputar o governo com um discurso próprio e com liberdade para conversar com diferentes segmentos.

Mas a própria lógica da política amazonense, que sempre mistura cálculo, instinto e necessidade de alianças amplas, determinará até onde essa autonomia vai.

O fato é que, pela primeira vez neste ciclo, Omar Aziz dá sinais públicos de que pretende remodelar seu papel. E esse movimento não nasce de improviso. Ele é fruto de leituras internas, conversas discretas e da constatação de que 2026 não será uma eleição de alinhamento, mas de sobrevivência política.

A postura flutuante que ele ensaia agora é uma tentativa de se adaptar antes que o cenário cristalize. É política feita no detalhe do discurso e na precisão dos gestos, como costuma ser no Amazonas quando a sucessão começa a ganhar contornos reais.

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