Imagens mostram técnicos aplicando substância letal em pacientes de UTI no DF

As investigações apontam que, em pelo menos um dos casos, o produto aplicado seria um desinfetante
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Imagens de câmeras de segurança obtidas pela imprensa mostram o momento em que técnicos de enfermagem aplicam substâncias que resultaram na morte de ao menos três pacientes internados na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Anchieta, em Taguatinga, no Distrito Federal.

O material audiovisual faz parte das investigações conduzidas pela Polícia Civil do DF e integra o inquérito da Operação Anúbis, que apura crimes de homicídio doloso qualificado.

Técnicos teriam usado login médico para prescrever substância

Segundo a investigação, um dos suspeitos, um técnico de enfermagem de 24 anos, aparece nas imagens acessando o sistema hospitalar com credenciais de uma médica que não estava de plantão no momento.

Após a prescrição irregular, ele teria retirado o produto na farmácia da unidade hospitalar e aplicado a substância por via intravenosa em pacientes internados na UTI.

As imagens também mostram o momento posterior à aplicação, quando equipes médicas tentam reanimar as vítimas após a parada cardiorrespiratória.

Outra técnica aparece manuseando substância na farmácia

Uma segunda técnica de enfermagem, de 22 anos, também é vista em registros internos do hospital manipulando o material utilizado nas aplicações. A substância estava acondicionada em uma embalagem de cor laranja, segundo os investigadores.

A polícia apura a participação direta de cada envolvido e a dinâmica exata dos crimes, incluindo a possível colaboração entre os suspeitos.

Mortes ocorreram em novembro e dezembro

De acordo com a Polícia Civil, duas das mortes aconteceram no dia 17 de novembro, enquanto a terceira foi registrada em 1º de dezembro. As vítimas apresentavam quadro de melhora clínica antes dos episódios fatais.

As investigações apontam que, em pelo menos um dos casos, o produto aplicado seria um desinfetante, administrado de forma repetida no paciente.

Quatro profissionais são investigados por homicídio qualificado

Até o momento, três técnicos de enfermagem foram presos temporariamente sob suspeita de envolvimento direto nas mortes. Uma quarta profissional também responde ao processo criminal.

Inicialmente, os investigados alegaram que apenas cumpriam prescrições médicas. No entanto, segundo a polícia, a versão foi enfraquecida após a análise das imagens, registros eletrônicos e outros elementos de prova.

Polícia aponta frieza e ausência de motivação clara

Conforme relato do delegado responsável pelo caso, os suspeitos não demonstraram arrependimento ao serem confrontados com as evidências. A motivação dos crimes ainda não foi esclarecida.

A investigação segue para apurar se houve participação de outras pessoas, falhas nos protocolos de segurança do hospital e possível omissão institucional.

Operação Anúbis segue em andamento

A Operação Anúbis foi deflagrada em janeiro, com cumprimento de mandados de prisão e busca em diversas regiões do Distrito Federal e entorno. Equipamentos eletrônicos e documentos apreendidos seguem em análise.

Os investigados poderão responder por homicídio doloso qualificado, crime cuja pena pode chegar a até 30 anos de prisão, devido à impossibilidade de defesa das vítimas.

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