Porto Velho chega hoje aos 111 anos de instalação carregando uma história que nasceu do encontro entre o homem, o rio e a floresta. Uma cidade que não surgiu por acaso, mas foi erguida à força de trabalho, suor e resistência, no coração da Amazônia.
Às margens do rio Madeira, Porto Velho começou como ponto estratégico, ganhou forma com a construção da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré e se transformou em símbolo de coragem. Vieram trabalhadores de diferentes partes do Brasil e do mundo, atraídos pelo sonho do progresso, muitos deles marcados pelas dificuldades impostas pela selva, pelas doenças e pelo isolamento. Cada trilho assentado, cada dor enfrentada, ajudou a moldar a identidade de um povo que aprendeu a resistir.
A cidade cresceu olhando para o rio. Foi por ele que chegaram mercadorias, histórias, culturas e esperanças. O Madeira não é apenas um curso d’água: é testemunha viva da formação de Porto Velho, elo entre gerações e parte inseparável da memória coletiva da capital rondoniense.
Ao longo de mais de um século, Porto Velho se reinventou. De vila ferroviária à capital de estado, enfrentou ciclos econômicos, transformações sociais e desafios urbanos. Cresceu entre contrastes: o moderno e o tradicional, o concreto e a floresta, o passado preservado em suas caixas d’água e na Madeira-Mamoré, e o futuro que se projeta em cada bairro que se expande.
Porto Velho tem dois aniversários porque carrega duas origens: a do surgimento, em 2 de outubro, e a da instalação oficial, em 24 de janeiro. Talvez isso traduza bem o espírito da cidade — múltipla, complexa, forjada por diferentes tempos e histórias. Aqui, o passado não se apaga; ele convive com o presente e inspira o amanhã.
Celebrar os 111 anos de instalação é reconhecer o valor de quem construiu a cidade e de quem, diariamente, a mantém viva: ribeirinhos, trabalhadores, migrantes, povos tradicionais, jovens e idosos que fazem de Porto Velho um lugar de pertencimento.
Hoje, Porto Velho não comemora apenas uma data. Celebra sua memória, sua resistência e sua capacidade de seguir em frente, sem esquecer de onde veio. Uma cidade amazônica, marcada pelo rio, pela ferrovia e, acima de tudo, pela força do seu povo.