Lula e Macron discutem Conselho da Paz de Trump e acordo Mercosul-UE em telefonema

O diálogo também abordou a situação na Venezuela e a implementação do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia
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Em telefonema realizado nesta terça-feira (27), os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Emmanuel Macron conversaram sobre a proposta do Conselho da Paz, iniciativa idealizada e presidida pelo ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltada à pacificação e reconstrução da Faixa de Gaza.

O diálogo também abordou a situação na Venezuela e a implementação do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, além de outros temas bilaterais.

Conselho da Paz: Lula e Macron defendem alinhamento à ONU

Durante a conversa, que durou cerca de uma hora, Lula e Macron ressaltaram a importância de que qualquer iniciativa de paz e segurança seja compatível com os mandatos do Conselho de Segurança da ONU e respeite os princípios da Carta da Organização das Nações Unidas.

O presidente brasileiro ainda não confirmou oficialmente se aceitará o convite para integrar o Conselho da Paz, enquanto a França já recusou a participação. Na semana passada, Lula chegou a criticar a proposta, afirmando que o colegiado poderia funcionar como uma “nova ONU sob controle de Trump”.

Situação na Venezuela também foi debatida

O telefonema incluiu ainda a análise da crise venezuelana. Segundo o Palácio do Planalto, os dois líderes condenaram o uso da força militar fora das normas internacionais e reforçaram a necessidade de promover estabilidade e paz na América do Sul.

No início de janeiro, os Estados Unidos realizaram um ataque militar no país, resultando na captura do presidente Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores. Com a ação, a vice-presidente Delcy Rodriguez assumiu o comando interinamente.

Acordo Mercosul-União Europeia no centro da pauta

Lula e Macron trataram do acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia, assinado em 17 de janeiro de 2026 após 26 anos de negociações. O presidente brasileiro destacou que a parceria contribui para o multilateralismo e o comércio baseado em regras.

Apesar do avanço, o Parlamento Europeu solicitou uma avaliação jurídica ao Tribunal de Justiça da UE, suspendendo temporariamente a implementação do acordo. A França é um dos países que questionam a medida, alegando riscos à agricultura local e concorrência desigual.

Agenda bilateral entre Brasil e França

Além dos temas globais, Lula e Macron discutiram assuntos bilaterais, incluindo cooperação em defesa, ciência, tecnologia e energia. Ambos se comprometeram a concluir negociações ainda no primeiro semestre de 2026, reforçando o diálogo constante entre os países.

O Planalto destacou que as conversas reforçam o compromisso de aprofundar parcerias estratégicas e garantir acordos de interesse mútuo nos próximos meses.

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