Uma ofensiva conjunta da Polícia Militar e do Ministério Público de São Paulo mobilizou mais de 200 agentes nesta quinta-feira (29) para conter o avanço da violência associada à rivalidade entre o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) no interior paulista.
A ação ocorre após a intensificação de crimes considerados extremamente violentos na região de Piracicaba.
Conflito por territórios do tráfico acende alerta de “guerra urbana”
De acordo com o Ministério Público, o confronto entre as facções teve início quando integrantes do Comando Vermelho passaram a disputar áreas estratégicas de venda de drogas tradicionalmente controladas pelo PCC. A movimentação provocou uma escalada de violência e instaurou um cenário descrito pelas autoridades como “guerra urbana”.
Desde 2022, investigações apontam uma sequência de homicídios, execuções com armamento de grosso calibre, ataques retaliatórios e ocultação de cadáveres como parte da disputa pelo controle criminoso.
Mandados e prisões em cidades da região de Piracicaba
A operação cumpriu 25 mandados de busca e apreensão em municípios como Piracicaba, Rio Claro, Limeira, Americana, Santa Bárbara d’Oeste, Leme, Hortolândia e Engenheiro Coelho. Durante a ação, ao menos três suspeitos foram presos.
Entre os alvos estão investigados apontados como lideranças locais das facções, além de criminosos considerados de alta periculosidade e com histórico de passagens pelo sistema prisional.
Operação Keravnos mobiliza batalhões e força especializada
Batizada de Operação Keravnos, a ação envolveu policiais dos batalhões do interior e do Batalhão de Ações Especiais de Polícia (Baep). Ao todo, 216 policiais militares participaram da ofensiva, com apoio de dezenas de viaturas.
Segundo a Polícia Militar, os presos possuem antecedentes por crimes como tráfico de drogas, roubo, porte ilegal de arma e lesão corporal.
Quebra de sigilo e apreensão de materiais fortalecem investigação
Além das prisões, a Justiça autorizou a quebra de sigilo de dados de aparelhos eletrônicos apreendidos durante a operação. O objetivo é interromper o envio de ordens criminosas, conhecidas como “salves”, e identificar novos envolvidos na disputa entre as facções.
Os materiais recolhidos serão analisados pelo Ministério Público para subsidiar futuras denúncias e aprofundar a responsabilização dos investigados.
A Polícia Militar e o Ministério Público afirmam que novas ações podem ocorrer, conforme o avanço das investigações. A expectativa é reduzir a atuação das facções na região e conter a onda de violência associada à disputa territorial no interior de São Paulo.
Com informações do Metrópoles*