Título de cidadão a Flávio Bolsonaro vira recado político na Aleam

A ALEAM voltou ao centro de um debate que costuma reaparecer em ano pré-eleitoral
Redação NC News
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A Assembleia Legislativa do Amazonas (ALEAM) voltou ao centro de um debate que costuma reaparecer em ano pré-eleitoral. Quem, de fato, merece receber o título de cidadão amazonense. O deputado estadual Delegado Péricles (PL) apresentou um projeto para conceder a honraria ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Oficialmente, o texto justifica que a atuação do parlamentar teria impacto positivo no Amazonas e destaca sua trajetória profissional e política.

Nos bastidores, porém, a leitura é outra

Fontes ouvidas nos corredores da ALEAM avaliam que a proposta tem menos peso institucional e mais intenção política, funcionando como um gesto de alinhamento e força dentro do próprio campo da direita amazonense, que já começa a se fragmentar na montagem do tabuleiro de 2026.

Falta de atuação direta no Amazonas alimenta críticas

A concessão de títulos honorários sempre foi usada como instrumento simbólico para aproximar figuras públicas e criar pontes políticas. O problema, no caso de Flávio Bolsonaro, é que não existe um histórico consistente de atuação voltada ao Amazonas, nem presença frequente em pautas sensíveis ao estado, como a Zona Franca de Manaus ou temas ligados à Amazônia. Esse ponto tem alimentado um debate interno sobre critérios e limites para esse tipo de homenagem, além do risco de desgaste diante da opinião pública. A avaliação nos bastidores é que, caso avance, o projeto pode abrir precedente para transformar o título em moeda política permanente, especialmente para fortalecer lideranças nacionais com interesse eleitoral futuro. Projeto é visto como marcação de território dentro do bolsonarismo local. O pano de fundo do projeto, segundo interlocutores da Casa, é uma disputa silenciosa dentro do bolsonarismo no Amazonas. A proposta é interpretada como uma marcação de território. O gesto de Péricles seria um recado direto sobre quem tem acesso ao núcleo nacional da família Bolsonaro e quem pretende se consolidar como operador político do bolsonarismo no estado. A preocupação entre lideranças da direita é a pulverização do eleitorado conservador em Manaus, já que diferentes nomes começam a se posicionar para 2026, principalmente para a Câmara Federal e para o Senado. Isso pode dividir uma base que antes votava de forma mais concentrada.

Progressistas articulam reação e governo acompanha movimentação

Outro ponto que chamou atenção nos bastidores é que parlamentares do campo progressista já estariam avaliando alternativas regimentais e políticas para tentar barrar ou atrasar a tramitação do projeto. O argumento seria o risco de oportunismo eleitoral e o efeito dominó que a aprovação poderia gerar. Além disso, deputados ligados à base governista também acompanham a movimentação com cautela. A leitura interna é que o desgaste, caso a proposta vire polêmica pública, respinga em toda a ALEAM, mesmo entre parlamentares que não tenham relação direta com o PL.

“Não é sobre título, é sobre palanque”, dizem bastidores

A expectativa é que o projeto possa avançar, já que tem apelo simbólico e mobiliza parte do eleitorado conservador. Mas o custo político também está no cálculo. Nos corredores da Assembleia, a frase que circula é direta: o projeto não é sobre título. É sobre presença política. A disputa real seria pelo controle do palanque bolsonarista no Amazonas em 2026, num cenário em que a direita entra no próximo ciclo eleitoral sem comando único e com projetos pessoais concorrendo entre si.

Coluna — Davidson Cavalcante

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