Em crise, Correios colocam imóveis à venda e miram arrecadar R$ 1,5 bilhão

A iniciativa ocorre em meio à pior crise financeira da história recente da empresa
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Os Correios anunciaram a venda de imóveis próprios em diversos estados como parte de um amplo plano de reestruturação financeira. A estatal projeta arrecadar até R$ 1,5 bilhão até dezembro de 2026 com a alienação de ativos considerados ociosos.

A iniciativa ocorre em meio à pior crise financeira da história recente da empresa.

Vendas anteriores ficaram muito abaixo da meta

Apesar da projeção bilionária, o histórico recente de vendas é modesto. Nos últimos seis anos, a estatal arrecadou menos de R$ 50 milhões com a comercialização de imóveis.

Levantamento aponta os seguintes valores:

  • 2025: R$ 2,9 milhões
  • 2024: R$ 10,4 milhões
  • 2023: R$ 6,2 milhões
  • 2022: R$ 7,3 milhões
  • 2021: R$ 18,4 milhões
  • 2020: R$ 512 mil

O total representa uma fração mínima do objetivo estabelecido para este ano.

Primeiros leilões ocorrem em fevereiro

Os primeiros leilões eletrônicos estão programados para os dias 12 e 26 de fevereiro. Nesta fase inicial, serão ofertados 21 imóveis, com possibilidade de participação de pessoas físicas e jurídicas.

Segundo os Correios, todo o processo ocorrerá de forma digital, garantindo maior alcance de interessados.

Imóveis estão distribuídos em 12 estados

Os ativos colocados à venda nesta etapa estão localizados em 12 estados brasileiros, entre eles Bahia, Ceará, Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais, Pará, Paraná, Pernambuco, Rio Grande do Norte e São Paulo.

O portfólio inclui:

  • prédios administrativos
  • galpões
  • terrenos
  • lojas
  • apartamentos funcionais

Os valores iniciais variam de R$ 19 mil a R$ 11 milhões.

Empresa afirma que serviços não serão afetados

A direção dos Correios afirma que a venda dos imóveis não comprometerá o atendimento à população. De acordo com a estatal, os ativos selecionados não são essenciais para a operação e outros imóveis ainda passam por avaliação para possível alienação.

Editais, imagens e regras dos leilões estão disponíveis nos canais oficiais da empresa e da leiloeira responsável.

Plano inclui cortes de gastos e demissões voluntárias

A comercialização dos imóveis faz parte de um pacote mais amplo de medidas para conter o déficit. Entre as ações está um programa de demissão voluntária, aberto no início de 2026, com expectativa de reduzir o quadro em até 15 mil funcionários.

Atualmente, os Correios possuem cerca de 90 mil empregados. O plano também prevê mudanças em cargos, plano de saúde e previdência.

Gastos com pessoal consomem maior parte da receita

Dados internos apontam crescimento expressivo das despesas com pessoal. Em 2022, os gastos foram de R$ 15,2 bilhões. Em 2024, o valor se aproximou de R$ 20 bilhões.

Segundo a empresa, cerca de 60% da receita é destinada ao pagamento de salários e benefícios.

Perda de mercado e fechamento de agências

Além da pressão interna, os Correios perderam espaço no setor de encomendas. Há seis anos, a estatal concentrava cerca de 50% do mercado. No fim de 2025, a participação caiu para aproximadamente 20%.

O plano de reestruturação prevê o fechamento de mil agências. Até agora, 121 unidades já encerraram as atividades.

Prejuízos crescentes e dependência de empréstimos

Os números do balanço mostram deterioração acelerada. O prejuízo saltou de R$ 700 milhões em 2022 para R$ 2,5 bilhões em 2024. Para 2025, a estimativa interna aponta um rombo de R$ 10 bilhões.

Para manter as operações, a empresa contratou um empréstimo de R$ 12 bilhões, com garantias do Tesouro Nacional. Desse total, R$ 10 bilhões já foram liberados. A estatal admite que pode precisar de mais R$ 8 bilhões ao longo de 2026.

Especialistas apontam dificuldade estrutural

Economistas avaliam que os Correios enfrentam dificuldades para competir com empresas privadas do setor logístico. Especialistas defendem redução de custos, mudanças estruturais e, em alguns casos, a discussão sobre privatização como alternativa para evitar um colapso financeiro.

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