Um piloto da companhia aérea Latam foi preso na manhã desta segunda-feira (9) no Aeroporto de Congonhas, na Zona Sul de São Paulo, suspeito de envolvimento em um esquema de exploração sexual de crianças e adolescentes que, segundo a polícia, funcionava há vários anos.
A prisão aconteceu dentro da aeronave, pouco antes da decolagem de um voo com destino ao Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro. O suspeito já estava na cabine quando foi abordado por agentes da Polícia Civil.
Investigação aponta atuação organizada e crimes recorrentes
De acordo com a 4ª Delegacia de Repressão à Pedofilia, vinculada ao Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), o piloto, identificado como Sérgio Antônio Lopes, de 60 anos, é investigado por crimes como estupro de vulnerável, exploração sexual infantil e favorecimento da prostituição.
As apurações indicam que o grupo atuava de forma estruturada, com divisão de tarefas e repetição dos crimes ao longo do tempo, o que reforça a suspeita de uma organização criminosa voltada à exploração sexual de menores.
Menores eram levadas a motéis com uso de documentos falsos
Segundo a Polícia Civil, o investigado utilizava documentos adulterados para levar adolescentes a motéis. As vítimas, todas menores de idade, teriam sido exploradas sexualmente mediante pagamento.
Durante a operação, uma mulher de 55 anos também foi presa. Ela é acusada de aliciar as próprias netas, de 10, 12 e 14 anos, para o piloto, em troca de dinheiro.
Mandados e buscas em São Paulo e na Região Metropolitana
A ação policial, batizada de Operação Apertem os Cintos, cumpriu mandados de prisão temporária e oito mandados de busca e apreensão contra quatro investigados. As diligências ocorreram na capital paulista e no município de Guararema, onde o piloto residia.
O suspeito foi encaminhado ao DHPP, onde permanece à disposição da Justiça. Até o momento, a defesa não foi localizada.
Latam se manifesta e afirma colaborar com as investigações
Em nota, a Latam Airlines Brasil informou que instaurou procedimento interno e afirmou estar colaborando com as autoridades. A companhia destacou que repudia qualquer prática criminosa e reforçou seu compromisso com padrões de segurança e conduta.
Ainda segundo a empresa, o voo que seria operado pelo piloto preso decolou normalmente, sem atrasos.
Autoridades seguem apurando o caso
A concessionária Aena, responsável pela administração do Aeroporto de Congonhas, e a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo foram acionadas para esclarecimentos adicionais. As investigações continuam para identificar outros possíveis envolvidos e eventuais novas vítimas.