O Índice de Percepção da Corrupção (IPC) 2025, divulgado nesta semana pela Transparência Internacional, aponta um quadro preocupante para o Brasil. O país marcou 35 pontos em uma escala que vai de 0 (maior percepção de corrupção) a 100 (menor percepção), ocupando a 107ª posição entre 182 países e territórios avaliados.
O resultado repete a pior colocação já registrada pelo Brasil no ranking e consolida a segunda pior nota de toda a série histórica.
O desempenho reforça um cenário de estagnação em patamar baixo, mantendo o Brasil distante tanto da média global quanto da média das Américas, ambas em 43 pontos.
Desde 2015, o país não consegue superar a média mundial, evidenciando fragilidades persistentes nas instituições e baixa efetividade dos mecanismos de integridade e controle.
Estagnação ao longo da série histórica
A análise da trajetória brasileira no IPC mostra oscilações limitadas, sem avanços estruturais duradouros. As melhores avaliações ocorreram em 2012 e 2014, com 43 pontos, seguidas por 2013 (42) e 2016 (40).
Já os piores resultados concentram-se nos últimos anos: 2018, 2019 e 2025 (35 pontos), 2023 (36) e 2024 (34) — esta última, a pior nota já registrada.
Embora os dados de colocação para anos anteriores não estejam detalhados, a sequência evidencia um padrão contínuo de baixo desempenho e ausência de recuperação consistente.
Escândalos, Justiça e falta de transparência
Segundo a Retrospectiva Brasil 2025, relatório complementar da Transparência Internacional – Brasil, o ano foi marcado por uma sucessão de escândalos de macrocorrupção, alguns em escala considerada inédita.
Casos envolvendo o sistema de Justiça tiveram destaque, revelando entraves adicionais ao enfrentamento do problema.
O relatório também aponta déficits de transparência no Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e conflitos entre a Lei de Acesso à Informação (LAI) e a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), o que tem limitado o acesso a informações públicas e dificultado a fiscalização.
A entidade cita ainda um ambiente de “impunidade generalizada” como fator central para a percepção negativa.
Comparação internacional e alertas
No cenário global, o IPC 2025 indica que a maioria dos países segue estagnada ou em retrocesso, com corrupção e enfraquecimento democrático avançando de forma paralela. No topo do ranking aparecem Dinamarca (89 pontos), Finlândia (88) e Cingapura (84), países que compartilham instituições sólidas, transparência e regras claras de integridade pública.
Recomendações para 2026
Para reverter o quadro, a Transparência Internacional recomenda que o Brasil, em 2026, avance no fortalecimento da democracia, enfrente a corrupção sistêmica, proteja a independência da Justiça, amplie a transparência pública e fortaleça o espaço cívico e a liberdade de informação.
Segundo a entidade, sem medidas estruturais nesse sentido, o país tende a permanecer preso a um ciclo de estagnação que compromete a confiança pública e a qualidade da democracia.
