TSE rejeita ações contra Lula e PT por suposta propaganda antecipada no Carnaval de 2026

As legendas sustentaram que o enredo e a divulgação do samba teriam extrapolado o campo artístico, passando a assumir caráter eleitoral
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O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu, por unanimidade, negar dois pedidos de liminar que buscavam impedir o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o Partido dos Trabalhadores e a escola de samba Acadêmicos de Niterói de promoverem, supostamente, propaganda eleitoral antecipada no Carnaval de 2026.

As ações foram apresentadas pelos partidos Novo e Missão após a escolha do samba-enredo da agremiação, intitulado “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”.

Relatora aponta ausência de fatos concretos

A ministra Estela Aranha, responsável pelo caso, votou pelo indeferimento dos pedidos. Segundo ela, não há elementos objetivos que comprovem, neste momento, prática irregular.

A magistrada destacou que a legislação eleitoral proíbe pedido explícito de voto fora do período permitido, mas afirmou que, nesta fase inicial, não é possível concluir que houve infração.

Apesar da negativa da liminar, a ministra ressaltou que eventual irregularidade poderá ser analisada posteriormente, caso surjam fatos concretos.

TSE afasta censura prévia, mas faz alertas

A presidente do TSE, ministra Cármen Lúcia, acompanhou o voto da relatora e enfatizou que a decisão não representa autorização para abuso eleitoral.

Segundo ela, a Justiça Eleitoral não pode atuar de forma preventiva sem provas claras, sob risco de configurar censura prévia — vedada pela Constituição.

Ainda assim, alertou que o Carnaval não pode ser utilizado como instrumento para promoção eleitoral irregular, especialmente por figuras públicas que possam disputar eleições.

Outros ministros também reforçaram que a decisão atual não impede futuras investigações, caso haja indícios de propaganda antecipada ou abuso de poder político.

O que alegaram Novo e Missão

As legendas sustentaram que o enredo e a divulgação do samba teriam extrapolado o campo artístico, passando a assumir caráter eleitoral.

Entre os argumentos apresentados estão:

  • Referências ao cenário político recente
  • Suposto uso de elementos associados a campanhas do PT
  • Citação de número partidário
  • Expressões que, segundo os autores das ações, poderiam equivaler a pedido de voto

O partido Novo também questionou a ligação de integrantes da escola com o PT, mencionando que o presidente de honra da agremiação é vereador pela legenda em Niterói.

Debate sobre uso de recursos públicos

Outro ponto levantado foi o possível financiamento público do desfile. O Novo argumentou que a escola pode receber repasses que somam até R$ 9,65 milhões de diferentes esferas governamentais.

A legenda também citou a estreia da Acadêmicos de Niterói no Grupo Especial e a abertura dos desfiles na Marquês de Sapucaí como fatores que ampliariam o alcance da apresentação.

Além da ação no TSE, parlamentares do partido informaram que acionaram o Tribunal de Contas da União (TCU) para apurar eventual uso irregular de verbas públicas.

Processo segue em tramitação

Embora tenha negado as liminares, o TSE não encerrou o caso. O Ministério Público Eleitoral deverá se manifestar, e o mérito da ação ainda será analisado.

A decisão atual apenas afasta qualquer medida preventiva neste momento, mantendo aberta a possibilidade de responsabilização futura, caso sejam constatadas irregularidades.

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