A Banda do Vai Quem Quer volta às ruas neste sábado (14), mantendo viva uma das tradições mais marcantes do carnaval em Porto Velho. Criado em 1980 por um grupo de amigos boêmios apaixonados por cultura popular, o bloco nasceu como forma de protesto contra os problemas enfrentados pelas festas carnavalescas da época e acabou se transformando em símbolo da folia no estado.
Entre os idealizadores estava Manoel Mendonça, conhecido como “General da Banda”, figura central na consolidação do evento. Segundo Silvio Santos, um dos fundadores, a inspiração veio de um bloco carioca e rapidamente conquistou os foliões, tornando-se, com o passar dos anos, patrimônio cultural rondoniense.
A concentração tradicional ocorre no complexo das Três Caixas D’Água, cartão-postal da cidade que passou a ser ponto de partida oficial do desfile ainda na década de 1980 e permanece como marco simbólico da festa até hoje. O trajeto reúne foliões fantasiados de todos os estilos — de personagens clássicos do carnaval a criações improvisadas — reforçando o lema de que a brincadeira é aberta a todos.
Antes de falecer, em 2011, Manelão deixou um pedido à filha, Siça, para que o bloco jamais deixasse de existir, reforçando a frase que se tornou lema entre os participantes: “A Banda não tem dono. A Banda é do povo”. Ao longo de mais de quatro décadas de história, o evento acumulou episódios marcantes, objetos históricos e até um museu próprio, que preserva lembranças como fantasias e registros de desfiles antigos.
O hino que embala a multidão — “Chegou a Banda, a Banda, a Banda…” — começou a ser escrito ainda nos primeiros anos e hoje é presença obrigatória na festa. A programação costuma iniciar por volta das 16h e segue até a noite, reunindo pessoas de diferentes idades, culturas e estilos, consolidando a Banda do Vai Quem Quer como uma das manifestações populares mais tradicionais da região Norte.