Uma mobilização ambiental realizada pela Ecoporé marcou o período carnavalesco ao promover o plantio de mudas no Assentamento Nova Conquista, zona rural de Porto Velho. A ação encerrou a campanha “Para cada folião, uma árvore”, desenvolvida em parceria com o Bloco Pirarucu do Madeira, e destacou a integração entre manifestações culturais e estratégias de recuperação ambiental.
A iniciativa foi realizada em período considerado tecnicamente adequado para plantio na Amazônia, utilizando tanto mudas quanto a técnica conhecida como muvuca — mistura planejada de sementes nativas selecionadas com base científica para ampliar a eficiência da restauração vegetal. Segundo a organização, a escolha da data também atendeu a pedidos da própria comunidade local, reforçando o princípio de participação social nas decisões ambientais.
O simbolismo do ato foi representado pela pioneira Maria Auxiliadora Lopes Pinheiro, de 81 anos, primeira moradora a plantar uma muda durante a atividade. Para ela, o contato com a terra e a participação coletiva demonstram a importância de iniciativas que valorizam o envolvimento comunitário e a preservação do território.
A presidente da associação de produtores locais, Raimunda Luiza Nunes Moreira, ressaltou que o plantio tem significado especial para moradores que reconstruíram a vida após perdas causadas pela enchente de 2014. Segundo ela, a recuperação da vegetação representa cuidado com o futuro e reconhecimento da relevância da floresta para a subsistência da comunidade.
Representando o Movimento das Mulheres Camponesas, a coordenadora Sebastiana Cláudia destacou que a atividade promove intercâmbio de conhecimentos e reforça a compreensão de que elementos naturais — água, solo, ar e floresta — formam um sistema interdependente essencial à vida no campo.
De acordo com o diretor-presidente da instituição, Marcelo Ferronato, o principal resultado não está apenas na quantidade de árvores plantadas, mas na articulação entre setores distintos da sociedade. A proposta, segundo ele, é demonstrar que iniciativas ambientais podem impulsionar simultaneamente educação, economia local e engajamento social.
Para a presidente do bloco carnavalesco, Luciana Oliveira, a experiência evidencia que manifestações culturais podem atuar como instrumentos de conscientização ambiental, transformando celebrações populares em ações concretas de preservação.
A mobilização contou ainda com apoio institucional da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, da Secretaria Municipal de Agricultura e da Emater‑RO. O ciclo de plantios também incluiu áreas como o Recanto Veredas e o campus Calama do Instituto Federal de Rondônia.
Com a conclusão das atividades, a iniciativa passa a integrar esforços alinhados às metas nacionais de recuperação da vegetação nativa, demonstrando que projetos de base comunitária podem ampliar escala e efetividade das políticas ambientais quando combinam conhecimento técnico, participação social e valorização cultural.
Confira abaixo os registros deste momento.

