A repercussão nacional do desfile da Acadêmicos de Niterói, que levou para a Marquês de Sapucaí uma ala satirizando setores conservadores durante homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, teve reflexos diretos no Acre.
Lideranças políticas do estado utilizaram as redes sociais para se posicionar e aderiram à chamada trend “Família em Conserva”, transformando o debate carnavalesco em manifestação pública de identidade ideológica.
O prefeito de Rio Branco, Tião Bocalom, foi um dos primeiros a entrar no movimento. Ele compartilhou uma montagem ao lado de familiares dentro de uma lata estilizada, acompanhada de mensagem destacando valores como fé e princípios.

Em outra publicação, apareceu ao lado do senador Flávio Bolsonaro, reforçando alinhamento com a direita nacional e resgatando sua trajetória política desde os tempos da antiga Arena.

Na Assembleia Legislativa, o deputado estadual Arlenilson Cunha também participou da mobilização virtual. Ao publicar imagem semelhante com sua família, o parlamentar enfatizou convicções religiosas e a defesa do que chama de papel tradicional da família.
O discurso seguiu a mesma linha adotada por lideranças conservadoras em todo o país, associando a trend à reafirmação de valores cristãos.

Já na Câmara Municipal de Rio Branco, o presidente da Casa, vereador Joabe Lira, aderiu ao movimento com mensagem destacando união, cuidado e fé.
A publicação foi interpretada como resposta simbólica ao que parte da direita classificou como provocação ideológica apresentada no desfile carioca.

A controvérsia também chegou ao campo jurídico. Renato Bolsonaro protocolou ações judiciais questionando o conteúdo do desfile, alegando suposta propaganda eleitoral antecipada e tratamento ofensivo a seu irmão, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Em meio à discussão, o Senado Federal publicou material explicando o que caracteriza intolerância religiosa segundo a legislação brasileira, afirmando que a divulgação não teve relação direta com o episódio.
No Acre, o episódio consolidou-se como mais um capítulo da polarização política nacional, agora refletida nas redes sociais de autoridades locais que transformaram uma alegoria carnavalesca em instrumento de posicionamento público.