Magistrados reagem à decisão de Flávio Dino sobre ‘penduricalhos’ e cogitam paralisação

A controvérsia teve início em 5 de fevereiro, quando o ministro determinou a suspensão dos chamados “penduricalhos” — benefícios
Redação NC News
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A recente decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que suspendeu o pagamento de verbas indenizatórias acima do teto constitucional, provocou forte reação entre magistrados da Justiça Federal.

Nos bastidores, integrantes da categoria classificam a medida como “injusta” e “desproporcional” e já discutem possíveis formas de pressão, incluindo operação tartaruga e até greve.

Decisão ampliou restrições aos pagamentos

A controvérsia teve início em 5 de fevereiro, quando o ministro determinou a suspensão dos chamados “penduricalhos” — benefícios classificados como indenizatórios que, na prática, elevam a remuneração além do teto previsto na Constituição.

Nesta quinta-feira (19), Dino reforçou a medida ao proibir a criação ou aplicação de novas normas que permitam pagamentos acima do limite constitucional. A decisão vale para todos os Poderes e órgãos autônomos.

A única exceção prevista é a eventual edição de lei nacional com base na Emenda Constitucional 135/2024, que poderá disciplinar quais verbas indenizatórias podem ficar fora do teto.

Bastidores mostram insatisfação da magistratura

Mensagens que circulam em grupos de magistrados revelam forte desconforto com a decisão. Um desembargador afirmou que a medida desconsidera entendimentos anteriores do próprio STF sobre a uniformização da remuneração da magistratura.

Segundo ele, decisões passadas reconhecem a competência do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) para editar normas que padronizem a remuneração das carreiras.

Outro magistrado avaliou que a liminar pode incentivar a proliferação de gratificações por meio de leis estaduais e municipais, onde a aprovação seria mais fácil do que no Congresso Nacional.

Categoria alega defasagem salarial

Nos debates internos, magistrados também apontam que a política de contenção de gastos públicos teria provocado perdas acumuladas ao longo dos anos.

De acordo com relatos da categoria, se houvesse correção integral pela inflação, o subsídio atual deveria ficar entre R$ 70 mil e R$ 75 mil. Um dos participantes afirma que a defasagem histórica alcançaria cifras milionárias.

Para os juízes, a questão não é apenas financeira. Eles sustentam que a situação compromete princípios como isonomia, confiança institucional e valorização das carreiras de Estado.

Possibilidade de operação tartaruga e greve

Embora ainda sem decisão formal, magistrados já mencionam nos grupos a possibilidade de reduzir o ritmo de trabalho — a chamada operação tartaruga — e até discutir paralisações.

Apesar do tom crítico, parte da categoria aposta que o plenário do STF poderá rever ou ao menos modular a decisão liminar.

Nos bastidores, também circula a avaliação de que o tema estaria sendo usado como “cortina de fumaça” para outros debates políticos, percepção que não é consensual dentro do Judiciário.

O que muda com a decisão de Dino

Na decisão mais recente, o ministro determinou:

  • Proibição de novas verbas que ultrapassem o teto constitucional
  • Vedação ao reconhecimento de novos pagamentos retroativos após 5 de fevereiro
  • Prazo de 60 dias para que órgãos publiquem detalhadamente todas as verbas pagas
  • Obrigação de indicar a base legal de cada pagamento

A medida atinge toda a administração pública, incluindo membros de Poder e servidores.

Debate deve continuar no STF

A discussão sobre os chamados penduricalhos ainda deve gerar novos capítulos no Supremo Tribunal Federal, especialmente quando o tema for analisado pelo plenário.

Enquanto isso, cresce a tensão entre parte da magistratura e a Corte, em um embate que mistura questões fiscais, jurídicas e institucionais e que pode ter impacto direto no funcionamento do Judiciário brasileiro.

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