Uma descoberta incomum chamou a atenção de cientistas na Estação Ecológica Rio Acre, no interior do estado. Durante uma expedição científica, pesquisadores identificaram dois exemplares de ouricuri (Attalea phalerata) completamente albinos, um fenômeno raríssimo na natureza.
A ausência total de clorofila, responsável pela coloração verde e pela realização da fotossíntese, transforma essas plantas em um verdadeiro enigma biológico.
Sem o pigmento essencial para produzir energia a partir da luz solar, indivíduos com esse tipo de mutação genética geralmente não sobrevivem por muito tempo após consumirem as reservas vindas da semente.
O que intrigou os estudiosos é que as mudas encontradas já estavam desvinculadas do fruto e, ainda assim, permaneciam vivas, contrariando o que se espera para casos de albinismo vegetal.
A identificação ocorreu durante atividade de campo conduzida por equipes da Universidade Federal do Rio de Janeiro e da Universidade Federal do Acre (Ufa), com suporte do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).
A professora Rita Portela, que há duas décadas se dedica ao estudo de palmeiras, destacou que não há registros científicos anteriores de albinismo natural nessa espécie.
Segundo ela, ocorrências semelhantes costumam ser observadas apenas em ambientes controlados, como plantações experimentais.
Para os pesquisadores, o achado também evidencia o alto grau de preservação da unidade. Estações ecológicas possuem regras rigorosas de acesso, permitindo apenas atividades científicas e educacionais.
Esse controle reduz interferências humanas e favorece condições ambientais estáveis, capazes de sustentar fenômenos biológicos incomuns.
A partir de agora, os indivíduos albinos passarão a ser acompanhados por equipes técnicas da unidade.
O monitoramento deve buscar respostas sobre como essas palmeiras conseguem se manter vivas mesmo sem realizar fotossíntese, um processo considerado básico para a sobrevivência das plantas.
A descoberta abre novas possibilidades de estudo sobre adaptação, variabilidade genética e resistência em ecossistemas amazônicos.