Crise de segurança no México: especialistas apontam lições para o Brasil no combate ao narcotráfico

A morte do narcotraficante Nemesio “El Mencho” Oseguera Cervantes, líder do Cartel Jalisco Nova Geração (CJNG), desencadeou uma nova onda de violência no México
Redação NC News
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A morte do narcotraficante Nemesio “El Mencho” Oseguera Cervantes, líder do Cartel Jalisco Nova Geração (CJNG), desencadeou uma nova onda de violência no México e reacendeu o alerta sobre o avanço do crime organizado na América Latina. Para analistas, o cenário mexicano oferece sinais importantes — e preocupantes — para o Brasil.

Especialistas ouvidos pela CNN Brasil destacam que, embora os contextos sejam diferentes, o crescimento de facções como PCC e Comando Vermelho exige respostas estratégicas para evitar uma escalada semelhante.

Operação contra líder do CJNG intensifica violência

“El Mencho” foi morto em uma ação militar realizada no domingo (22), com apoio de inteligência dos Estados Unidos. Após a operação, o México registrou aumento expressivo da violência, incluindo a morte de ao menos 25 agentes de segurança.

O episódio reforça o grau de poder e capilaridade dos cartéis mexicanos, que há anos desafiam o Estado e mantêm controle sobre territórios inteiros.

Uso das Forças Armadas divide especialistas

Para o professor de geopolítica da Escola Superior de Guerra, Ronaldo Carmona, a experiência mexicana mostra riscos na militarização do combate ao narcotráfico.

Segundo ele, transformar as Forças Armadas em instrumento permanente de segurança pública pode comprometer a função principal dos militares, além de não apresentar resultados duradouros.

Carmona defende que o Brasil priorize o fortalecimento das polícias e ações integradas de Estado.

“É preciso ampliar a capacidade operacional das forças de segurança e, ao mesmo tempo, levar desenvolvimento e oportunidades às áreas mais vulneráveis”, avaliou.

Possíveis reflexos no Brasil

A professora de Relações Internacionais da FESPSP, Ana Carolina Marson, avalia que a crise mexicana pode influenciar o debate sobre políticas públicas brasileiras de combate às drogas.

Embora PCC e Comando Vermelho tenham estruturas próprias e diferentes dos cartéis mexicanos, especialistas alertam que as consequências sociais da violência tendem a ser semelhantes.

Já a doutora em Direito Internacional Priscila Caneparo destaca que a pressão dos Estados Unidos sobre países latino-americanos continua sendo um fator relevante nas estratégias de enfrentamento ao narcotráfico.

Diferenças geográficas mudam a dinâmica do crime

Outro ponto ressaltado por especialistas é o impacto territorial. No México, por ser um país menor, os episódios de violência costumam ganhar maior visibilidade nacional.

No Brasil, devido às dimensões continentais, os efeitos aparecem de forma desigual — com regiões como o Rio de Janeiro registrando crises mais evidentes, enquanto outras áreas sentem impactos indiretos.

Lição do passado: ataques do PCC em 2006

O alerta também remete ao histórico brasileiro. Em maio de 2006, o PCC promoveu uma série de ataques coordenados em São Paulo após a transferência de lideranças para presídios federais.

Na época, delegacias, bases policiais, ônibus e bancos foram alvos de atentados. Rebeliões se espalharam pelo sistema prisional e a capital paulista praticamente parou.

A resposta do Estado resultou em mais de 500 mortes de civis, segundo dados da Secretaria Nacional de Direitos Humanos.

Caminho para evitar cenário semelhante

Na avaliação de especialistas, o Brasil precisa atuar simultaneamente em duas frentes:

  • reforço imediato das forças de segurança;
  • políticas estruturais de geração de renda e desenvolvimento em áreas vulneráveis.

A combinação entre repressão qualificada e políticas sociais é apontada como essencial para impedir que o narcotráfico amplie seu domínio territorial.

Com informações do UOL*

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