O Supremo Tribunal Federal (STF) deu início, nesta terça-feira (24), ao julgamento dos acusados de serem os mandantes do assassinato de Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, ocorrido em 14 de março de 2018.
A Primeira Turma do STF, presidida pelo ministro Flávio Dino, é a responsável por analisar as acusações contra cinco réus. Entre os denunciados estão os irmãos Domingos Brazão, ex-conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ), e Chiquinho Brazão, ex-deputado federal.
Também são réus o ex-chefe da Polícia Civil do Rio, Rivaldo Barbosa, o major da PM Ronald Alves de Paula, e o ex-policial militar Robson Calixto. Eles respondem por homicídio qualificado, tentativa de homicídio e organização criminosa
O caso chegou ao STF devido ao foro por prerrogativa de função de Chiquinho Brazão, que exercia mandato de deputado federal à época dos fatos.
Emoção e expectativa
A sessão teve início às 9h30, com a presença de familiares de Marielle e Anderson, incluindo a mãe, Marinete Silva. Ela expressou a complexidade do momento, mesclando dor e esperança.
“É um momento difícil, mas também de muita esperança. Acho que, diante de tudo que a gente tem vivido esses oito anos, tem sido, além de uma experiência de dor, que não é possível ressignificar o que é isso, uma dor de uma mãe, depois de tanto tempo. Mas é para dizer que a gente confia muito nessa instituição que tem dado resposta para o Brasil e para o mundo. Acho que é na hora da gente também ter o Estado brasileiro, o Estado do Rio de Janeiro, principalmente, ter uma resposta positiva em relação aos mandantes dessa barbárie que foi o crime da Marielle Anderson.”
Marinete Silva também fez questão de agradecer o apoio contínuo da sociedade e da imprensa, ressaltando a importância da visibilidade para o caso:
“A gente está mais um dia para agradecer a vocês, principalmente, porque a gente segue até aqui por conta da sociedade e da imprensa que tem nos acolhido sempre, desde o primeiro momento do assassinato. E vamos estar aqui, mais uma vez, para dar a importância desse júri, desses homens que jamais imaginavam que tivesse um dia sendo julgado por várias questões, por posições que eu ocupo, por posições sociais, além de financeira. Então, a gente está aqui para dizer que é importante, sim, que vamos seguir até o fim. Muito obrigada, mais uma vez, e sigamos.”