Novas tarifas dos EUA entram em vigor após decisão da Suprema Corte; Trump reforça agenda protecionista

O governo dos Estados Unidos passou a cobrar, nesta terça-feira (24), uma nova tarifa geral de importação de 10%, medida determinada pelo presidente Donald Trump
Redação NC News
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O governo dos Estados Unidos passou a cobrar, nesta terça-feira (24), uma nova tarifa geral de importação de 10%, medida determinada pelo presidente Donald Trump. A iniciativa ocorre poucos dias após decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos que limitou parte da política comercial da Casa Branca.

A medida marca mais um capítulo da estratégia protecionista do republicano e pode gerar repercussões no comércio internacional.

Tarifa geral de 10% começa a ser aplicada

De acordo com documentos da Alfândega e Proteção de Fronteiras dos Estados Unidos, a nova cobrança entrou em vigor com alíquota de 10%, apesar de Trump ter sinalizado a possibilidade de elevar o percentual para 15%.

O governo americano afirma que o objetivo da taxação é reduzir déficits considerados elevados na balança de pagamentos do país.

A medida tem prazo inicial de 150 dias, podendo ser prorrogada caso o Congresso autorize a continuidade.

Produtos do Canadá e México ficam fora da regra

A tarifa ampla não atinge a maior parte das mercadorias vindas do Canadá e do México. A exceção ocorre por causa do acordo de livre comércio entre os três países, atualmente conhecido como Tratado entre México, Estados Unidos e Canadá (T-MEC).

Mesmo assim, setores específicos podem ser impactados por cobranças adicionais, dependendo de decisões futuras do governo.

Suprema Corte impõe limites à Casa Branca

A decisão do Supremo americano, tomada por seis votos a três, autorizou o governo a tributar determinados produtos — como automóveis e aço —, mas considerou ilegal parte das tarifas impostas anteriormente.

O tribunal entendeu que o presidente não pode alterar tarifas de forma ampla sob a justificativa genérica de emergência nacional, o que obrigou a Casa Branca a rever parte da estratégia comercial.

Desde 2025, Trump vinha usando o argumento de “emergência nacional” como base jurídica para ampliar barreiras tarifárias.

Política comercial de Trump gera críticas

O republicano tem defendido que a abertura comercial promovida pelos Estados Unidos desde os anos 1980 prejudicou a indústria nacional. Segundo ele, parceiros como Japão, União Europeia e China não ofereceram contrapartidas equivalentes.

Apesar do endurecimento tarifário, Washington manteve negociações comerciais ao longo de 2025 com países como Coreia do Sul e Índia.

O próprio acordo do T-MEC deverá passar por nova rodada de negociações ainda neste ano.

Disputa judicial e incertezas sobre arrecadação

A Casa Branca também enfrenta pressão interna. Empresas americanas e governos estaduais ligados ao Partido Democrata já sinalizaram que pretendem recorrer à Justiça para buscar compensações financeiras.

Até agora, os Estados Unidos arrecadaram cerca de US$ 170 bilhões com tarifas, mas o destino desses recursos pode se tornar alvo de longas batalhas judiciais.

Trump ameaça ampliar tarifas

Em publicações recentes, Trump indicou que pode aumentar ainda mais as taxas contra países que reagirem às medidas comerciais dos EUA.

O presidente afirmou que nações que tentarem “desafiar” a decisão da Suprema Corte poderão enfrentar tarifas significativamente mais altas.

A sinalização reforça a postura dura da atual política comercial americana e mantém o mercado global em alerta.

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