A pré-candidatura do prefeito David Almeida ao Governo do Amazonas alterou o clima na Câmara Municipal de Manaus. Vereadores da base se reuniram de forma reservada com o presidente da Casa para cobrar direcionamento político e avaliar impactos para 2026.
Nos bastidores, a avaliação é direta, neutralidade deixou de ser estratégia segura e passou a representar risco. Com o tabuleiro em rearranjo, quem pretende disputar a próxima eleição precisa definir posição, consolidar alianças e medir o custo do silêncio.
Em ano eleitoral, ausência de gesto também é mensagem, e pode pesar no futuro político de cada um. Antes da sessão da última terça-feira, os vereadores do núcleo próximo do Prefeito passaram mais de três horas reunidos com o presidente da Casa, David Reis. Oficialmente, conversa administrativa. Nos bastidores, a pauta foi política e eleitoral. O ambiente é de suspense. Parte dos parlamentares já trabalha com a possibilidade de deixar o mandato parlamentar na CMM para disputar vaga na Assembleia Legislativa do Amazonas (ALEAM). O próprio presidente é pré-candidato a deputado estadual. Outros seguem o mesmo roteiro. A conta, porém, não fecha com facilidade.
O histórico de 2022 ronda a mesa. Naquele ano, a tentativa de transformar a tribuna da CMM em trampolim eleitoral teve resultado limitado. Só dois romperam a bolha. Amom Mandel saiu da Câmara Municipal como o mais votado do estado para a Câmara dos Deputados. Wanderley Monteiro garantiu vaga na ALEAM na sobra do Avante. O restante ficou pelo caminho. Agora, o cenário é ainda mais instável. A disputa ao governo pode dividir palanques entre Prefeitura, Governo do Estado e até aliados nacionais e isso inclui a Máquina Federal encabeçada pelo presidente Lula.
O recente embate público entre Roberto Cidade e Daniel Almeida deixou claro que não há sintonia entre a prefeitura de Manaus e o governo do Estado. A distância política é visível. Nos corredores da Casa Municipal, a leitura é pragmática. Neutralidade virou risco. Quem pretende disputar em 2026 precisa definir posição e amarrar alianças desde já. A fragmentação do poder pode abrir espaços, mas também pode fechar portas. Em ano eleitoral, silêncio também comunica. E custa caro, ou seja, ficar em cima do muro pode ser arriscado do que se imagina.
Texto por Davidson Cavalcante