Poeira do Saara chega à Amazônia, mas não pode ser vista a olho nu

A presença de partículas vindas do deserto africano sobre a Amazônia é um fenômeno real e recorrente, porém imperceptível para a população
Redação NC News
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A presença de partículas vindas do deserto africano sobre a Amazônia é um fenômeno real e recorrente, porém imperceptível para a população. O esclarecimento foi feito pelo meteorologista Jeferson Vilhena, do Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Amapá (Iepa), após moradores confundirem a situação com uma suposta nuvem de poeira.

Nos últimos dias, imagens compartilhadas nas redes sociais levantaram dúvidas sobre o que estaria encobrindo o céu na região.

Neblina explica aspecto esbranquiçado do céu

De acordo com o especialista, o efeito visual observado pelos moradores não tem relação direta com a poeira africana. O cenário é provocado por neblina, fenômeno comum em períodos de alta umidade combinada com temperaturas mais amenas.

Segundo Vilhena, a poeira do Saara até alcança a Amazônia, mas em concentrações muito pequenas, insuficientes para formar uma nuvem visível.

Transporte ocorre todos os anos

O deslocamento das partículas do Deserto do Saara até a América do Sul acontece anualmente por meio dos ventos alísios, que sopram sobre o Oceano Atlântico de leste para oeste.

Esse processo se intensifica durante o verão do hemisfério sul, quando a Zona de Convergência Intertropical se posiciona mais ao sul da linha do Equador, facilitando o transporte do material.

Poeira ajuda a fertilizar a floresta

Apesar de quase invisível, a poeira africana exerce papel importante no equilíbrio ambiental amazônico. As partículas carregam nutrientes como fósforo e ferro, que contribuem para a fertilidade do solo da floresta.

Quando chegam à região, elas se depositam de duas formas principais:

  • deposição seca, quando caem diretamente sobre a vegetação;
  • deposição úmida, quando são removidas pela chuva.

Detecção exige tecnologia

O meteorologista reforça que a confirmação da poeira do Saara depende de sensores atmosféricos e modelos meteorológicos específicos. A simples observação do céu não é suficiente para identificar o fenômeno.

Assim, o aspecto acinzentado registrado recentemente no Amapá está relacionado à neblina e não a uma nuvem densa de poeira africana.

Com informações do G1*

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