Um comitê do Congresso dos Estados Unidos divulgou um novo relatório afirmando que a China estaria se valendo de infraestrutura instalada na América Latina para expandir sua capacidade de vigilância espacial e coleta de dados.
A investigação do grupo teria identificado ao menos 11 pontos ligados a programas espaciais chineses em países como Argentina, Venezuela, Bolívia, Chile e Brasil.
Segundo o documento do Comitê Seleto sobre a China da Câmara dos Representantes, intitulado “Atraindo a América Latina para a Órbita da China”, Pequim teria criado uma ampla rede de estações terrestres espaciais e telescópios de uso dual na região, que, embora apresentados como civis, poderiam fortalecer capacidades de inteligência e operações militares do Exército de Libertação Popular da China.
O presidente do comitê, John Moolenaar, afirmou que muitas atividades norte-americanas dependem de satélites em órbita, e que a expansão da presença espacial chinesa na América Latina é motivo de preocupação.
Para ele, esses investimentos visam promover os interesses estratégicos da China e enfraquecer a posição dos Estados Unidos no domínio espacial.
Moolenaar também elogiou ações do ex-presidente Donald Trump contra a influência chinesa no hemisfério, e instou aliados dos EUA a seguir as recomendações do relatório para conter a expansão dessa infraestrutura.
Até o momento, a China não comentou oficialmente o conteúdo do relatório.
O que o relatório diz sobre o Brasil
No caso brasileiro, o texto chama a atenção para a Estação Terrestre de Tucano, um empreendimento conjunto entre a empresa brasileira Ayla Nanosatellites e a chinesa Beijing Tianlian Space Technology. A estação, oficialmente voltada à recepção de dados de satélites, foi considerada pelo relatório como parte dessa rede de infraestrutura.
O documento também menciona o Laboratório Conjunto de Tecnologia de Radioastronomia China-Brasil, criado em 2025 em parceria entre instituições chinesas e as universidades federais da Paraíba e de Campina Grande.
O projeto inclui o radiotelescópio BINGO, destinado principalmente à pesquisa científica sobre gás neutro no universo, mas que, segundo os norte-americanos, poderia utilizar algoritmos avançados com sensibilidade para sinais de radar e outras emissões relacionadas a atividades de vigilância.
Entre as recomendações do relatório está que o governo dos EUA defina como objetivo explícito interromper a expansão dessa infraestrutura chinesa na América Latina e, em última instância, buscar reduzir ou eliminar capacidades que possam representar uma ameaça aos interesses estratégicos americanos na região.