A sucessão de 2026 no Amazonas ganhou uma nova variável. O nome do presidente da Assembleia Legislativa do Amazonas, Roberto Cidade, começou a circular nos bastidores como possível candidato ao Senado.
A hipótese surge depois que o governador Wilson Lima decidiu permanecer no cargo e deixou de lado, ao menos por agora, uma disputa pela vaga senatorial. A decisão não encerrou o jogo político. Apenas mudou o eixo das articulações dentro do próprio grupo.
Até poucos meses atrás, Cidade era tratado como candidato praticamente certo a deputado federal. A estratégia era levá-lo a Brasília com base no capital eleitoral acumulado nas eleições de 2022, quando ultrapassou a marca de 100 mil votos. Agora o cenário começa a ser revisto. A federação formada por União Brasil e Progressistas passou a trabalhar cenários diferentes. Colocar o nome de Cidade no radar do Senado funciona, neste momento, como teste político e também como instrumento de negociação dentro do grupo. Cidade reúne alguns elementos que pesam nesse cálculo. Preside a Assembleia, mantém relação estável com deputados estaduais e construiu um perfil de articulador que evita confronto público.
Nos bastidores, aliados defendem que esse capital político pode ser convertido em candidatura majoritária. Mas o desafio é outro. Disputar o Senado exige capilaridade no interior, alianças firmes e densidade eleitoral em Manaus. Ter influência institucional não garante, por si só, desempenho nas urnas. Enquanto o grupo avalia esse movimento, o vice-governador Tadeu de Souza continua sendo tratado como peça de equilíbrio. Ele permanece no tabuleiro como alternativa para diferentes cenários, seja em uma disputa pelo governo, seja em outra composição majoritária. Outro ponto observado com atenção nos bastidores é a posição do senador Omar Aziz. Questionado sobre possíveis arranjos políticos, Omar evitou fechar portas e falou em construção. No vocabulário da política, esse tipo de resposta significa espaço aberto para negociação.
Por enquanto, o movimento em torno de Roberto Cidade pode significar três coisas ao mesmo tempo. Teste de viabilidade eleitoral, recado interno dentro da base governista e também instrumento de pressão na montagem de uma chapa mais ampla para 2026. O fato é que, depois da decisão de Wilson Lima de permanecer no governo, o desenho da disputa pelo Senado no Amazonas deixou de ser previsível. E quando a previsibilidade desaparece, a eleição passa a ser decidida na articulação de bastidor. Quem souber negociar melhor, larga na frente.
Coluna — Davidson Cavalcante