As facções criminosas brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) passaram a ser classificadas pelos Estados Unidos como ameaças relevantes à segurança regional.
A avaliação foi divulgada por representantes do Departamento de Estado dos Estados Unidos e leva em conta a atuação das organizações no tráfico de drogas e em outras atividades criminosas que ultrapassam as fronteiras do Brasil.
O posicionamento ocorre em meio ao debate sobre a possível inclusão dos grupos na lista norte-americana de organizações terroristas estrangeiras.
Governo dos EUA aponta atuação transnacional das facções
Segundo autoridades do Departamento de Estado dos Estados Unidos ao Metrópoles, o avanço das atividades das facções brasileiras em outros países da América Latina e em rotas internacionais de tráfico tem despertado preocupação em Washington.
De acordo com a avaliação do governo norte-americano, tanto o Primeiro Comando da Capital quanto o Comando Vermelho estão ligados a esquemas que envolvem transporte de drogas, redes de violência e operações criminosas em diferentes países.
Esse cenário, segundo o órgão, amplia o impacto dessas organizações na segurança do continente.
Possível classificação como organizações terroristas
Nos bastidores da política externa dos EUA, existe uma discussão sobre enquadrar as duas facções brasileiras na lista de Foreign Terrorist Organizations (FTO), utilizada pelo país para identificar grupos considerados terroristas no exterior.
Caso essa medida seja adotada, o governo norte-americano poderia aplicar sanções internacionais, ampliar investigações financeiras e intensificar ações de combate às redes de apoio dessas organizações.
Apesar disso, autoridades dos EUA evitam confirmar oficialmente se a inclusão das facções na lista está prestes a ocorrer.
Governo brasileiro rejeita classificação
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem se posicionado contra a possibilidade de classificar as facções como organizações terroristas.
A justificativa é que a legislação brasileira sobre terrorismo exige motivações políticas, religiosas ou ideológicas para esse tipo de enquadramento. No entendimento do governo, grupos como o Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho atuam principalmente com foco em atividades criminosas voltadas ao lucro.
Além disso, autoridades brasileiras demonstram preocupação com eventuais impactos sobre a soberania nacional caso a classificação seja adotada por outros países.
Tema pode entrar na pauta de reunião entre Lula e Trump
O debate internacional sobre o combate às facções brasileiras acontece às vésperas de um possível encontro entre Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump.
A reunião ainda não tem data confirmada, mas deve abordar temas ligados à segurança regional, combate ao narcotráfico e cooperação internacional.
Nos bastidores diplomáticos, a discussão sobre PCC e CV aparece como um dos assuntos sensíveis que podem influenciar as relações entre Brasil e Estados Unidos.