Interior do Amazonas ganha protagonismo na disputa eleitoral de 2026

Agenda conjunta entre Omar Aziz e Eduardo Braga reforça sinais de aliança enquanto o tabuleiro do governo começa a se dividir entre capital e interior
Redação NC News
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A movimentação política do fim de semana no interior do Amazonas acendeu um alerta nos bastidores da corrida eleitoral de 2026. A agenda pública realizada em Itacoatiara reuniu lideranças que já estão no centro da disputa pelo governo e pelo Senado. Oficialmente, o encontro tratava de anúncios e investimentos. Mas, na política, gestos e presenças também falam.

O interior do Amazonas sempre foi território decisivo em eleição estadual. Mas desta vez o cenário pode ganhar um novo elemento. Uma possível divisão mais clara entre o voto da capital e o voto do interior.

A pesquisa Quaest mais recente já indicou uma tendência inicial. Omar Aziz aparece na frente na corrida pelo governo. Mas o levantamento também mostra uma disputa aberta pela segunda posição, que levaria ao segundo turno. Isso é relevante porque, na história recente da política amazonense, eleições para o governo muitas vezes foram definidas ainda no primeiro turno. O próprio Omar protagonizou a última transição desse tipo de cenário. Agora, se confirmar a candidatura, ele pode enfrentar pela primeira vez uma disputa em dois turnos para o governo.

Nesse ambiente mais competitivo surgem novas peças. O prefeito de Manaus, David Almeida aparece como possível adversário direto. O nome da empresária Maria do Carmo Seffair também circula entre grupos políticos. E o vice-governador Tadeu de Souza tenta se movimentar para manter seu nome na disputa, caso o governador decida permanecer no cargo e não disputar o Senado. Mas foi no interior que um movimento chamou mais atenção. A agenda em Itacoatiara foi a quinta aparição conjunta entre Eduardo Braga e Omar Aziz em eventos pelo estado. Oficialmente, compromissos institucionais. Na prática, um roteiro político que começa a criar narrativa eleitoral. Não é coincidência.

Braga já fez declarações públicas chamando Omar de futuro governador em outras ocasiões. Uma das mais recentes ocorreu em Parintins, quando falou sobre a possibilidade de um novo ciclo de investimentos no interior caso os dois retornem ao governo e ao Senado. Isso reforça uma percepção nos bastidores. A decisão de Braga sobre seu posicionamento pode já estar tomada, apenas aguardando o momento político adequado para ser anunciada. O problema é que existe outro fator nessa equação. David Almeida mantém uma relação institucional com Eduardo Braga. Parte das emendas destinadas a Manaus passa pela articulação do senador. Na área de habitação, por exemplo, a indicação de Jesus Alves para a secretaria municipal é vista como um gesto político ligado ao grupo de Braga. Essa situação cria um equilíbrio delicado. Romper abertamente um lado significa tensionar o outro. Enquanto isso, pequenos sinais continuam surgindo. Durante a mesma agenda no interior, o deputado federal Saullo Vianna chegou a se referir a Omar Aziz como governador. Na política, esse tipo de gesto raramente é casual.

Outro elemento que pressiona esse tabuleiro é a disputa pelo Senado. Marcos Rotta apareceu em terceiro lugar na pesquisa Quaest, empatado com Plínio Valério. Esse movimento também influencia o cálculo político dentro dos grupos. Oficialmente, David Almeida diz que não vai pressionar ninguém a apoiá-lo. Mas a leitura entre aliados é que o tempo político começa a encurtar.

O calendário eleitoral também pesa. A janela partidária termina em 4 de abril. Depois disso, as articulações entram em outro ritmo até as convenções partidárias, entre julho e início de agosto. A campanha começa logo em seguida. Até lá, as alianças continuam sendo costuradas em público e nos bastidores. E se a história recente servir de referência, há um dado curioso. Nas eleições em que estiveram juntos no mesmo campo político, Omar Aziz e Eduardo Braga nunca saíram derrotados. A diferença agora é que o cenário é mais fragmentado, mais competitivo e com mais atores tentando ocupar espaço. Por isso, quando duas lideranças desse peso começam a dividir agendas seguidas no interior, dificilmente se trata apenas de inauguração, anúncio de obra ou liberação de recursos.

Na política, encontros repetidos costumam antecipar decisões que ainda não foram oficialmente anunciadas.

Coluna — Davidson Cavalcante

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