A Confederação Africana de Futebol (CAF) anunciou, nesta terça-feira (17), uma reviravolta histórica no futebol continental ao retirar o título da Copa Africana de Nações (CAN) de Senegal e declarar a seleção de Marrocos como a nova campeã. A decisão do Comitê de Apelações atende a um recurso da federação marroquina e se baseia no regulamento de abandono de campo (W.O.) ocorrido durante a final disputada em janeiro, em Rabat.

O que aconteceu no jogo?
A polêmica teve origem nos acréscimos do segundo tempo da final, quando o placar ainda estava em 0 a 0. Após consulta ao VAR, o árbitro marcou pênalti para o Marrocos, alegando falta de Malick Diouf em Brahim Díaz. Revoltado com a decisão, o técnico de Senegal, Pape Thiaw, ordenou que seus jogadores deixassem o gramado em sinal de protesto.

A equipe senegalesa chegou a sair de campo, mas retornou após interferência do astro Sadio Mané. Na cobrança, Brahim Díaz bateu de “cavadinha” e o goleiro senegalês defendeu sem dificuldades. A partida seguiu para a prorrogação, onde Senegal marcou com Pape Gueye e venceu por 1 a 0, celebrando o título no estádio.

Por que Senegal perdeu o título?
Apesar da vitória com bola rolando, a Federação Marroquina de Futebol (FRMF) contestou o resultado com base nos artigos 82 e 84 do regulamento da competição. O texto oficial da CAF determina que:
- Artigo 82: Se uma equipe deixar o campo antes do tempo programado sem autorização, é considerada derrotada e eliminada.
- Artigo 84: O descumprimento gera exclusão permanente da edição e derrota automática pelo placar de 3 a 0.
Em comunicado oficial, a CAF ratificou que a saída temporária dos senegaleses configurou a violação, invalidando o triunfo na prorrogação. Com isso, Marrocos herda o troféu da edição 2025 da CAN.
Histórico de revolta
O clima da final já estava tenso antes do pênalti polêmico. Minutos antes, Senegal teve um gol anulado por uma falta de Seck em Hakimi dentro da área, o que gerou a primeira onda de protestos contra a arbitragem. A marcação do pênalti para o Marrocos logo em sequência foi o estopim para a decisão de abandonar o campo, que agora custou o título à seleção de Senegal.