Daniel Vorcaro passou a primeira noite sob custódia da Superintendência da Polícia Federal (PF), em Brasília. A transferência ocorreu na quinta-feira (19), após autorização do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Este já é o quarto local de detenção desde a segunda prisão. Inicialmente detido em São Paulo, Vorcaro foi levado à sede da PF na capital paulista. Depois, seguiu para o Centro de Detenção Provisória de Guarulhos e, em seguida, para o presídio de Potim, até chegar à capital federal.
A permanência na sede da Polícia Federal em Brasília marca o início das tratativas para um possível acordo de delação premiada com investigadores e integrantes da Procuradoria-Geral da República. A expectativa é de que Vorcaro seja ouvido nos próximos dias por delegados, com o objetivo de esclarecer pontos ainda pendentes das investigações.
A defesa de Vorcaro, representada pelo advogado José Luís de Oliveira Lima, propôs ao ministro André Mendonça um modelo de colaboração que envolva tanto a Polícia Federal quanto a Procuradoria-Geral da República. A sinalização do magistrado foi favorável.
Esse formato é considerado incomum em casos de grande repercussão no país, já que historicamente há disputas entre os dois órgãos sobre a condução das investigações. O tema, inclusive, ainda é debatido no próprio Supremo Tribunal Federal.
Segundo informações divulgadas anteriormente, a estratégia inicial de Vorcaro seria colaborar com investigações envolvendo políticos, sem atingir ministros do STF, como Alexandre de Moraes e Dias Toffoli. A avaliação é de que o procurador-geral da República, Paulo Gonet, não aceitaria uma delação que envolvesse diretamente integrantes da Corte.
O presidente da CPMI do INSS, senador Carlos Viana (Podemos-MG), afirmou que uma eventual colaboração precisa ser completa e pode expor uma rede de influência que alcance os três Poderes.
Para o parlamentar, é essencial que Vorcaro detalhe todos os contatos mantidos, seja no Congresso, no Supremo ou em outras instituições, incluindo possíveis ligações dentro das forças policiais.
*Com informações de CNN