A ausência de itens básicos de higiene menstrual ainda é um obstáculo significativo para estudantes na Região Norte do Brasil.
Dados recentes da IBGE revelam que a região concentra alguns dos maiores percentuais de adolescentes que já deixaram de ir à escola por não terem acesso a absorventes.
O destaque negativo fica para o Amazonas, onde 27,9% das jovens entre 13 e 17 anos relataram faltar às aulas ao menos uma vez no último ano por esse motivo.
Outros estados nortistas também apresentam índices elevados, como Roraima (23,5%), Tocantins (23%) e Amapá (20,6%).
A realidade se repete em diferentes partes da região. No Acre, o percentual chega a 20,4%, enquanto no Pará é de 18,8% e em Rondônia atinge 16,8%.
Todos os números estão acima ou próximos da média nacional, estimada em 15%, o que evidencia uma desigualdade regional persistente.
Além da dificuldade individual de acesso, a pesquisa também aponta limitações estruturais. Apenas 56% das estudantes da Região Norte estão matriculadas em escolas que oferecem absorventes, o menor índice entre todas as regiões do país.
Em contraste, o Sudeste lidera com ampla cobertura nas unidades de ensino. Esse cenário reforça o impacto direto da chamada pobreza menstrual na educação.
A falta de acesso a produtos de higiene durante o período menstrual pode comprometer a frequência escolar, o desempenho acadêmico e até a permanência das adolescentes na escola.
A medida é vista como essencial para garantir dignidade, reduzir desigualdades e assegurar o direito à educação.
Pé-de-Meia garante absorventes gratuitos a estudantes pelo Farmácia Popular
Estudantes de baixa renda que participam do programa Pé-de-Meia, do Ministério da Educação, agora têm acesso gratuito a absorventes por meio do Farmácia Popular.
A retirada pode ser feita em qualquer unidade credenciada, mediante apresentação de autorização gerada no sistema do programa, além de CPF e documento oficial com foto.
A medida integra ações dos ministérios da Educação e da Saúde para enfrentar a pobreza menstrual e reduzir a evasão escolar.
Voltada a jovens entre 14 e 24 anos matriculados na rede pública, a iniciativa também busca promover mais igualdade e garantir que estudantes tenham condições adequadas para frequentar as aulas com dignidade.