Justiça da Argentina suspende parte da reforma trabalhista de Milei e trava mudanças em jornada e greves

A decisão foi motivada por ação apresentada pela Confederação Geral do Trabalho, que questiona a legalidade das mudanças.
Redação NC News
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A Justiça da Argentina determinou a suspensão de trechos relevantes da reforma trabalhista proposta pelo presidente Javier Milei. A decisão tem caráter provisório e afeta dezenas de dispositivos da nova legislação.

A determinação interrompe a aplicação de 82 artigos da lei, incluindo pontos considerados centrais pelo governo, como regras sobre jornada de trabalho, demissões e organização sindical.

A decisão foi motivada por ação apresentada pela Confederação Geral do Trabalho, que questiona a legalidade das mudanças.

Jornada ampliada e restrições a greves são suspensas

Entre os principais pontos que deixam de valer estão:

  • Possibilidade de ampliar a jornada diária para até 12 horas
  • Alterações no pagamento e cálculo de horas extras
  • Limitações ao direito de greve
  • Mudanças nas regras de reconhecimento de vínculo empregatício

As medidas ficam sem efeito até análise definitiva da Justiça.

Mudanças em demissões e contratos também são barradas

A decisão também impacta regras relacionadas ao mercado de trabalho, como:

  • Redução de valores de indenizações
  • Possibilidade de parcelamento de rescisões
  • Ampliação de contratos autônomos, inclusive para trabalhadores de aplicativos

Esses pontos eram considerados estratégicos para flexibilizar as relações trabalhistas no país.

Juiz aponta risco de danos irreversíveis

O juiz Raúl Horacio Ojeda justificou a medida ao citar risco de prejuízos imediatos aos trabalhadores.

Segundo ele, a aplicação das novas regras poderia gerar impactos difíceis de reverter caso a reforma seja considerada inconstitucional no julgamento final.

A suspensão tem caráter temporário, o que permite ao governo de Javier Milei recorrer da decisão para tentar restabelecer a validade dos artigos.

O caso segue em tramitação e ainda será analisado no mérito.

Conflito entre governo e sindicatos se intensifica

A reforma trabalhista é uma das principais propostas do governo Milei e vem sendo alvo de críticas de entidades sindicais.

Enquanto o governo defende maior flexibilidade nas leis para estimular a economia, sindicatos apontam riscos de perda de direitos e precarização do trabalho.

Outros pontos da reforma também ficam suspensos

Além das mudanças mais visíveis, a decisão também atinge:

  • Regras sobre teletrabalho
  • Criação de banco de horas individual
  • Alterações nas férias
  • Proposta de fundo para substituir indenizações trabalhistas

Com isso, parte significativa da reforma fica temporariamente sem validade até nova decisão judicial.

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