Preço dos ovos dispara 20% durante a Quaresma e pressiona o bolso do consumidor

Alta na demanda e custos de produção impulsionam o valor da proteína nas gôndolas; período religioso consolida o ovo como principal substituto da carne vermelha.
Redação NC News
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O tradicional hábito de substituir a carne vermelha por ovos durante a Quaresma está custando mais caro em 2026. Segundo levantamentos do setor produtivo e de consultorias de mercado, o preço do alimento registrou uma alta média de 20% em todo o Brasil desde o início do período religioso. O movimento de alta reflete uma combinação de aumento sazonal na procura e pressões persistentes nos custos de produção das granjas nacionais.

O peso do feriado no prato

O preço dos ovos registrou uma subida de aproximadamente 20% nos principais centros consumidores do Brasil durante o período da Quaresma. O aumento afeta diretamente o consumidor final e o setor de serviços, sendo impulsionado pela migração da demanda da carne vermelha para a proteína do ovo por razões religiosas e econômicas. De acordo com analistas do agronegócio, o ajuste de preços ocorre neste mês de março devido ao pico de consumo sazonal, somado ao repasse de custos com ração (milho e soja) e logística que os produtores enfrentaram no último semestre. O objetivo do mercado é equilibrar a oferta limitada com o apetite voraz das famílias que buscam alternativas mais acessíveis — embora agora mais caras — à proteína bovina.

Oferta e Demanda em Desequilíbrio

A subida de dois dígitos não é apenas uma questão de tradição. O setor avícola vem operando com margens ajustadas, e a Quaresma funciona como o “catalisador” para o repasse de custos que vinham sendo represados.

Com o aumento da procura, os estoques nas granjas diminuem rapidamente, permitindo que o varejo aplique reajustes que chegam a superar a inflação oficial do período. Para muitos brasileiros, o ovo, que antes era o símbolo da “economia”, agora exige uma pesquisa de preços mais rigorosa nos supermercados e feiras livres.

Alternativas para o Consumidor

Especialistas em finanças pessoais sugerem que o consumidor tente diversificar as fontes de proteína ou busque compras no atacado para amenizar o impacto. A expectativa é que, após a Páscoa, a pressão sobre os preços comece a ceder levemente, acompanhando a normalização do consumo de carne vermelha.

O que mudou de um ano para o outro?

  • Explosão na Demanda: Em 2025, o ovo ainda dividia espaço com cortes de carne bovina que estavam em promoção em grandes redes. Em 2026, com a carne estabilizada em patamares elevados, a migração para o ovo foi “em massa”, permitindo ao varejo esticar as margens de lucro.
  • O Fator Logística: No ano passado, o escoamento da produção de grãos (ração) estava mais barato. Este ano, o aumento nos combustíveis e fretes encareceu o transporte das granjas até os grandes centros urbanos, sendo repassado integralmente ao consumidor.
  • Sazonalidade Agressiva: Enquanto em 2025 o aumento foi diluído ao longo das semanas, em 2026 o “pulo” de preço ocorreu de forma abrupta logo na primeira semana da Quaresma, pegando o consumidor de surpresa.
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