Uma megaofensiva da Polícia Civil de Rondônia, deflagrada nesta quinta-feira (2), atingiu em cheio o coração de uma estrutura criminosa de alta periculosidade que atuava no estado. A Operação Descarrilho IV revelou planos audaciosos do grupo, que incluíam um ataque ao Fórum da comarca de Rolim de Moura. Com uma rede que se estendia para outros estados, a organização utilizava comércios locais para movimentar valores ilícitos, desafiando as autoridades com uma divisão de tarefas rígida e comunicação criptografada.
Ofensiva contra o crime organizado
A Polícia Civil de Rondônia, por meio da 2ª Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco 2), deflagrou na manhã desta quinta-feira (02) a Operação Descarrilho IV em diversas cidades do estado. A ação visa cumprir 38 mandados de prisão preventiva e 40 de busca e apreensão contra integrantes de uma facção criminosa acusada de tráfico, lavagem de dinheiro e planejamento de ataques a órgãos públicos, como o Fórum de Rolim de Moura. A investigação, que mobilizou 150 agentes, teve início após um sequestro ocorrido no ano passado e descobriu que o grupo utilizava transações via PIX e estabelecimentos comerciais para ocultar dinheiro enviado a cúpulas criminosas no Rio de Janeiro e Mato Grosso. A ofensiva busca desmantelar a logística financeira e operacional da quadrilha, garantindo a ordem pública nas regiões de Cacoal, Ji-Paraná e Vilhena.
Do sequestro à lavagem de dinheiro: a estrutura do bando
O fio da meada para esta operação surgiu em julho do ano passado, após a prisão de seis indivíduos envolvidos no sequestro e cárcere privado de duas vítimas na “Linha Vermelha”. A partir dali, a Draco 2 identificou uma hierarquia complexa:
- Divisão de Funções: O grupo possuía setores específicos para a logística de drogas e execução de crimes violentos.
- Lavagem de Capitais: Empresas de fachada eram usadas para “limpar” o dinheiro do crime, que era rapidamente transferido via PIX para líderes da facção em outros estados.
- Planos de Ataque: Escutas e investigações apontaram que o grupo planejava ações de “novo cangaço”, tendo como alvo principal o Fórum de Rolim de Moura.
Força-Tarefa de Elite
A magnitude da operação exigiu uma coordenação integrada. Participaram da ação delegacias regionais de Cacoal, Vilhena, Rolim de Moura, Alvorada do Oeste e Ji-Paraná. O suporte tático foi garantido pela Core e pelo 4º BPM, com a colaboração direta da Sesdec e do Ministério Público, por meio do Gaeco e Gaema. Ao todo, 78 medidas cautelares foram executadas, incluindo buscas em unidades prisionais para cortar a comunicação de líderes já detidos.