Governo atualiza “lista suja” do trabalho escravo e inclui Amado Batista e BYD

Entre os novos incluídos, a maioria é composta por pessoas físicas: são 102 empregadores individuais, contra 67 empresas.
Redação NC News
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O governo federal divulgou nesta segunda-feira (6) uma nova atualização da chamada “lista suja” do trabalho escravo, cadastro oficial que reúne empregadores responsabilizados por submeter trabalhadores a condições degradantes.

Ao todo, 169 novos nomes foram incluídos, elevando o total para cerca de 613 registros ativos. A relação é atualizada duas vezes por ano pelo Ministério do Trabalho.

Cadastro cresce e revela perfil dos infratores

Entre os novos incluídos, a maioria é composta por pessoas físicas: são 102 empregadores individuais, contra 67 empresas.

Os dados mostram que atividades como serviços domésticos, pecuária de corte e cultivo de café lideram o número de ocorrências. Também aparecem setores como construção civil e serviços agrícolas.

As fiscalizações resultaram no resgate de 2.247 trabalhadores em situação análoga à escravidão.

Estados com mais casos registrados

As ocorrências estão distribuídas por 22 unidades da federação. Minas Gerais aparece no topo da lista, seguido por São Paulo, Bahia e Paraíba.

Outros estados com números relevantes incluem Pernambuco, Goiás e Mato Grosso do Sul. O Amazonas também aparece no levantamento, com um caso registrado.

Caso BYD envolve trabalhadores estrangeiros na Bahia

A montadora BYD foi incluída após uma operação realizada em 2024, que resgatou trabalhadores chineses em condições precárias durante a construção de uma fábrica em Camaçari, na Bahia.

Segundo as autoridades, os funcionários viviam em alojamentos superlotados, com estrutura inadequada e restrições de liberdade. Também foram identificadas irregularidades contratuais, jornadas exaustivas e retenção de documentos.

Na época, a empresa atribuiu os problemas a uma terceirizada e afirmou ter rompido o contrato. Posteriormente, firmou um acordo de R$ 40 milhões com o Ministério Público do Trabalho.

Amado Batista contesta inclusão na lista

O cantor aparece em dois registros ligados a propriedades rurais em Goiás, onde foram apontadas irregularidades envolvendo trabalhadores.

Em nota, a defesa do artista nega a existência de trabalho análogo à escravidão e afirma que não houve resgate de trabalhadores. Segundo a assessoria, as situações identificadas envolveram apenas falhas na contratação por empresa terceirizada.

Ainda de acordo com o posicionamento, um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) foi firmado e todas as obrigações legais teriam sido cumpridas.

Como funciona a “lista suja” do trabalho escravo

Criado em 2004, o cadastro é um instrumento de transparência que expõe empregadores após a conclusão de processos administrativos, sem possibilidade de recurso.

Em regra, os nomes permanecem na lista por dois anos. No entanto, normas mais recentes permitem a saída antecipada mediante cumprimento de condições, como indenização às vítimas e adoção de medidas corretivas.

Empregadores que firmam acordos passam a integrar uma lista paralela, mas podem retornar ao cadastro principal em caso de descumprimento.

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