Queda de secretário no Acre expõe crise profunda e escândalos na saúde pública

Gestão de Pedro Pascoal termina sob pressão de denúncias de desvios milionários e episódios trágicos envolvendo recém-nascidos; deputados cobram punição.
Redação NC News
ouça este conteúdo
00:00 / 00:00
1x

O ex-secretário de Saúde do Acre, Pedro Pascoal, deixou o cargo nesta semana após uma série de escândalos e denúncias de irregularidades que marcaram sua passagem pela pasta. A decisão da governadora Mailza Assis foi influenciada pelo forte desgaste político gerado por investigações da Polícia Civil sobre o desvio de R$ 1 milhão em remédios da rede pública e por tragédias em maternidades estaduais. O afastamento ocorre no momento em que a Assembleia Legislativa do Acre (Aleac) e a opinião pública exigem respostas sobre falhas de controle e suspeitas de corrupção em contratos da saúde, buscando estancar a crise que colocou a gestão pública em evidência negativa mundial.

Arsenal de denúncias e o “caso dos bebês”

A imagem da saúde acreana sofreu golpes severos durante o período de Pascoal. O deputado estadual Adailton Cruz destacou que, embora o gestor não seja apontado individualmente como autor dos crimes, os fatos ocorreram sob sua responsabilidade administrativa.

Dois casos envolvendo recém-nascidos chocaram a população e ganharam repercussão internacional:

  • Bebê Aurora: Sofreu queimaduras graves nas pernas durante o primeiro banho em um hospital público devido à ausência de termômetros básicos para aferir a temperatura da água.
  • Bebê José Pedro: Um prematuro que foi declarado morto e quase enterrado vivo, sendo descoberto com vida apenas no momento do sepultamento.

“São falhas alarmantes que acendem um alerta para a falta de cuidado com a gestão pública. Estamos aguardando que a Polícia Civil apresente os responsáveis para que sejam penalizados”, afirmou o parlamentar.

Foto: Divulgação.

Dinheiro vivo e medicamentos desviados

Além das tragédias humanitárias, a pasta foi atingida por suspeitas de crimes financeiros. A apreensão de mais de R$ 1 milhão em medicamentos que deveriam estar nas prateleiras dos hospitais revelou um esquema de desvio interno. Somado a isso, a prisão de um empresário ligado a contratos da Sesacre, flagrado movimentando R$ 1 milhão em espécie, levantou suspeitas de propinas e favorecimentos ilícitos em licitações, ampliando o isolamento do ex-secretário.

Carregar Comentários