Em agenda oficial na Alemanha nesta segunda-feira (20), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o Brasil ocupa posição de destaque mundial na produção de energia renovável e defendeu o histórico nacional no setor de biocombustíveis.
As declarações foram feitas durante o Encontro Econômico Brasil-Alemanha, realizado em Hanôver.
Lula destacou o desempenho do etanol de cana-de-açúcar, apontando o combustível como uma alternativa eficiente e de baixa emissão de carbono.
Segundo ele, o Brasil já atingiu níveis de participação de fontes renováveis em sua matriz energética que países europeus ainda buscam alcançar nas próximas décadas.

“A Feira de Hannover é o maior evento industrial do mundo. Reúne o que há de mais avançado no campo da indústria e da tecnologia de ponta. Neste ano o Brasil tem uma participação especial: somos o país parceiro oficial da Feira de 2026. É com enorme satisfação que inauguramos, junto ao Chanceler Merz , o pavilhão brasileiro. Temos aqui 140 empresas brasileiras expositoras e outras 300 que vieram prospectar oportunidades de negócios nas áreas de tecnologia da informação e comunicação, infraestrutura de armazenamento, digitalização, energia, agricultura, saúde, defesa, entre outras”, disse o presidente.
Críticas a normas europeias
Durante o discurso, o presidente criticou mudanças regulatórias em discussão na União Europeia relacionadas ao setor ambiental e energético.
Para Lula, parte dessas medidas ignora a realidade produtiva brasileira e pode prejudicar exportadores nacionais justamente em um momento de expansão da demanda global por energia limpa.
O petista afirmou ainda que critérios unilaterais de medição de carbono podem criar distorções e dificultar o acesso do consumidor europeu a combustíveis sustentáveis produzidos fora do bloco.
Brasil quer atrair investimentos
Lula aproveitou o encontro para reforçar que o país pretende ampliar sua participação na economia verde e convidou investidores estrangeiros a apostar no mercado brasileiro.
Segundo ele, o Brasil reúne condições favoráveis para projetos ligados à energia limpa, minerais estratégicos e inovação industrial.
O presidente afirmou que o país busca superar a condição de economia emergente e avançar no processo de desenvolvimento.
Feira industrial
O Brasil participa como parceiro oficial da Feira Industrial de Hanôver neste ano, com presença de centenas de empresas e expositores.
Durante a visita, Lula conheceu estandes de tecnologia, motores sustentáveis, caminhões movidos a biocombustíveis e projetos da indústria aeronáutica nacional.
Entre os destaques apresentados esteve o protótipo do eVTOL da Embraer, modelo conhecido como “carro voador”.
“Tenho certeza de que todos os que visitarem este pavilhão lembrarão do Brasil como referência global em inovação e tecnologia de ponta”, afirmou Lula.
Relação com a Alemanha
Ao lado do chanceler alemão Friedrich Merz, Lula também ressaltou a importância da parceria entre os dois países.
Segundo ele, Brasil e Alemanha podem ampliar cooperação em áreas como abastecimento energético, tecnologia, indústria e transição climática.
Merz, por sua vez, elogiou o modelo brasileiro de produção energética e afirmou que o país possui experiências relevantes no uso combinado de petróleo, gás e biocombustíveis.

Inovação na Vitrine Industrial
Nos pavilhões de Hannover, a tecnologia brasileira foi materializada em projetos que atraíram a atenção de investidores internacionais:
Mobilidade Aérea: A exibição do protótipo do carro voador (Evtol) da Embraer simbolizou o potencial de inovação tecnológica do país.
Logística Sustentável: Caminhões de grande porte e motores industriais adaptados exclusivamente para biocombustíveis foram apresentados como soluções imediatas para a redução de emissões no frete global.
Minerais Críticos: O Brasil também se posicionou como fornecedor estratégico de terras raras e minerais essenciais para a fabricação de baterias e componentes eletrônicos, itens vitais para a indústria alemã.
Diplomacia e Multilateralismo
Para além da pauta comercial, a agenda de Lula na Alemanha serviu para reforçar o posicionamento geopolítico do Brasil em defesa de um sistema internacional multipolar.
Em meio a tensões globais e à ascensão de políticas isolacionistas, o país defendeu o fortalecimento de fóruns como o G20 e a reforma de instituições internacionais.
A parceria com a Alemanha foi tratada como um pilar de longo prazo, unindo a expertise industrial alemã à capacidade brasileira de geração de energia barata e limpa.