O feriado nacional de 21 de abril lembra a morte de Joaquim José da Silva Xavier, figura central da Inconfidência Mineira e considerado um dos principais símbolos da luta contra o domínio português no Brasil.
Executado em 1792, no Rio de Janeiro, Tiradentes foi condenado por traição à Coroa. Tinha 45 anos quando foi enforcado, sem barba e com a cabeça raspada, uma aparência bem diferente da imagem consagrada nos livros escolares.
Após a morte, o corpo foi esquartejado e partes foram expostas em pontos estratégicos de Vila Rica, atual Ouro Preto, como forma de repressão e intimidação.
O movimento do qual fazia parte defendia o fim da exploração colonial e a implantação de uma república, algo que só se concretizaria décadas depois, com a Proclamação da República no Brasil.
Mais do que o mártir, Tiradentes também era descrito como um homem comum: comunicativo, persistente, corajoso, interessado por leitura e conhecimento, traços que ajudam a humanizar a figura histórica.
Embora tenha ficado conhecido como dentista, origem do apelido “Tiradentes”, exerceu diversas atividades ao longo da vida, como mineração, comércio e carreira militar, na patente de alferes. Sobre sua aparência física, porém, há poucos registros documentais da época.
Nos últimos dias de vida, o alferes foi acompanhado por religiosos, cujos relatos ajudaram a construir uma imagem fortemente associada à figura de Jesus Cristo.
Essa aproximação simbólica aparece em obras como a peça do poeta Castro Alves, encenada em 1867, que o descreve como “o Cristo da multidão”, e em textos do abolicionista Luiz Gama, que comparou sua execução à crucificação.
Mesmo diante da repressão, Tiradentes manteve-se firme. Durante os três anos em que esteve preso, prestou diversos depoimentos e não implicou outros envolvidos, assumindo sozinho a responsabilidade pelo levante.
O 21 de abril foi oficializado como feriado nacional em 1890, por meio de decreto do governo republicano. Décadas depois, em 1965, Tiradentes foi declarado patrono cívico do Brasil por lei federal. O reconhecimento reforça a importância histórica de sua atuação e busca preservar sua memória como símbolo de resistência e luta por liberdade.
*Com informações de g1