Após paralisação total do transporte coletivo, Ministério Público abre investigação no Acre

Órgão solicita informações sobre as causas da interrupção do serviço
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O Ministério Público do Estado do Acre (MPAC) instaurou uma investigação e cobrou explicações da Prefeitura de Rio Branco após a paralisação total da frota de ônibus do transporte público registrada nesta quarta-feira (22).

A capital amanheceu sem circulação dos coletivos, como Terminal Urbano do município vazio, afetando completamente o serviço de mobilidade urbana, principalmente de trabalhadores e estudantes.

Por meio da 1ª Promotoria Especializada de Defesa do Consumidor, o MPAC encaminhou ofício ao prefeito Alysson Bestene solicitando informações sobre as causas da interrupção do serviço, as medidas emergenciais adotadas para a retomada do transporte e a situação contratual e trabalhista da concessionária Ricco Transportes, responsável pelo sistema.

Maior ponto de circulação de pessoas em Rio Branco, amanheceu vazio – Foto: TV Norte

O órgão também requisitou esclarecimentos sobre eventuais medidas administrativas diante de possível descumprimento contratual.

A Prefeitura tem prazo de 24 horas para responder.

A mobilização dos trabalhadores foi organizada de forma independente e articulada pelas redes sociais sob o nome “Acorda Rio Branco”.

Segundo a categoria, o movimento reflete insatisfação com problemas recorrentes relacionados ao cumprimento de obrigações trabalhistas pelas empresas concessionárias.

Entre as principais denúncias estão atrasos salariais, falta de depósitos de FGTS e INSS, além de irregularidades envolvendo empréstimos consignados, que estariam sendo descontados dos trabalhadores sem repasse às instituições financeiras.

Acordo emergencial e contexto da crise

Após reunião entre prefeitura e representantes da categoria durante esta madrugada, por volta das 3h, foi firmado um acordo emergencial de 48 horas para tentativa de solução dos impasses e retomada gradual do serviço.

A paralisação ocorre poucos dias após a suspensão da concorrência pública nº 005/2026, que trata da nova concessão do transporte coletivo em Rio Branco.

A medida foi tomada após impugnações e questionamentos sobre o edital.

Justiça do Trabalho determina medidas contra empresas

Em meio à crise, a Justiça do Trabalho também interveio no caso. Em decisão liminar, o juiz do Trabalho substituto Felipe Taborda determinou uma série de medidas contra a Ricco Transportes e outras empresas apontadas como integrantes de um mesmo grupo econômico.

A ação foi movida pelo Sindicato dos Trabalhadores em Transporte de Passageiros e Cargas do Acre (Sinttpac) e aponta atrasos salariais, ausência de FGTS, irregularidades no INSS, supressão de intervalos e práticas antissindicais.

Entre as determinações, está a restrição de transferência de veículos via sistema Renajud, impedindo a venda ou retirada de ônibus do Estado sem autorização judicial.

Segundo a decisão, há risco de dilapidação patrimonial e prejuízo a futuras indenizações trabalhistas.

A Justiça também determinou que a Prefeitura de Rio Branco seja formalmente notificada e recomendou cautela na liberação de eventuais pagamentos ou subsídios às empresas envolvidas.

Além disso, a Ricco Transportes deverá apresentar, em até 10 dias, relação completa de trabalhadores e documentos como contracheques, registros de ponto e comprovantes de recolhimento de FGTS e INSS, sob pena de multa diária.

Outras seis empresas também são citadas na ação e podem responder solidariamente, conforme entendimento inicial da Justiça.

Com isso, a paralisação do transporte coletivo na capital do Acre expôs uma crise simultânea entre trabalhadores, concessionária, poder público e órgãos de controle, que agora aguardam desdobramentos das investigações e decisões judiciais para a retomada plena do serviço.

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