O ministro Alexandre de Moraes determinou, na quinta-feira (23), que Marília Alencar, ex-delegada da Polícia Federal, passe a cumprir pena em regime domiciliar após condenação por tentativa de golpe de Estado.
Alencar ocupou o cargo de diretora de Inteligência no Ministério da Justiça durante o governo de Jair Bolsonaro (PL) e integrou o chamado núcleo 2 da ação que investigou a articulação para impedir a posse de Lula (PT) e mantê-lo no poder.
Em dezembro de 2025, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) condenou a ex-delegada a oito anos e seis meses de prisão pelos crimes de organização criminosa armada e tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito. Além da pena, ela também perdeu o cargo na Polícia Federal.
Durante sua atuação no ministério, Alencar solicitou a produção de um relatório de inteligência com foco em regiões onde Lula venceu no primeiro turno das eleições. O material teria como objetivo orientar operações da Polícia Rodoviária Federal no segundo turno, com a finalidade de dificultar o deslocamento de eleitores contrários a Bolsonaro.
Antes da decisão mais recente, a ex-diretora já estava em prisão domiciliar de caráter preventivo. A medida havia sido adotada em dezembro por Moraes para todos os condenados do núcleo 2, após o ex-diretor-geral da PRF, Silvinei Vasques, tentar fugir do país e ser detido no Paraguai.
Com a nova decisão, Moraes autorizou o cumprimento definitivo da pena em casa, considerando que não há mais possibilidade de recurso contra a condenação e que Alencar é mãe de uma criança pequena. Caso contrário, ela poderia ser encaminhada à Penitenciária Feminina do Distrito Federal, conhecida como Colmeia.