Denúncias e investigações reacendem debate sobre gestão de hospitais em Manaus

As apurações apontam suspeitas de desvio de recursos públicos que deveriam ter sido destinados ao combate à pandemia
Redação NC News
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A saúde pública no Amazonas volta a ser motivo de preocupação e agora sob a lupa de investigações da Polícia Federal. A organização social Agir – Associação de Gestão, Inovação e Resultados em Saúde, que desde dezembro de 2024 assumiu a gestão do Hospital 28 de Agosto e do Instituto Dona Lindu, está no centro de um cenário que reúne apurações em outros estados e denúncias recorrentes de trabalhadores e pacientes em Manaus.

No estado de Goiás, a Polícia Federal deflagrou as operações Makot Mitzrayim e Rio Vermelho, que investigam contratos envolvendo organizações sociais da área da saúde em diferentes estados.

As apurações apontam suspeitas de desvio de recursos públicos que deveriam ter sido destinados ao combate à pandemia, além de indícios de superfaturamento e serviços que não teriam sido executados integralmente.

A Agir, que atua há anos na gestão de unidades de saúde em Goiás, expandiu sua atuação para outras regiões do país, incluindo o Norte, em meio a um histórico de questionamentos e investigações sobre contratos anteriores.

Em Manaus, profissionais de saúde denunciam atrasos no pagamento de salários no Hospital 28 de Agosto e no Pronto-Socorro da Criança da Zona Sul. Segundo os relatos, os atrasos se repetem há meses e afetam diretamente o funcionamento das unidades e a rotina das equipes.

Em um dos casos, um ex-colaborador afirma ter sido desligado após cobrar salários em atraso, situação que, segundo ele, reforça o clima de insatisfação entre trabalhadores terceirizados que atuam na rede hospitalar.

Além das questões trabalhistas, usuários relatam dificuldades no atendimento. Em alguns casos, familiares de pacientes afirmam que o acompanhamento da rotina hospitalar tem sido feito à distância, com informações repassadas por meios digitais, em razão de limitações no acesso às unidades.

O Hospital e Pronto-Socorro 28 de Agosto passou por ampliações recentes, com novas alas inauguradas no fim de 2025. Apesar disso, relatos de usuários e profissionais apontam a continuidade de filas, demora no atendimento e dificuldades operacionais.

As denúncias se somam ainda a queixas sobre longas esperas por atendimento, falta de insumos e cancelamentos de procedimentos, cenário que, segundo profissionais e usuários, contrasta com a promessa de modernização do sistema de saúde estadual.

Enquanto a Polícia Federal aprofunda investigações sobre organizações sociais em outros estados, no Amazonas crescem os questionamentos sobre a gestão das unidades hospitalares e os critérios de contratação dessas entidades para serviços essenciais.

A reportagem procurou a Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM) e aguarda posicionamento.

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