Levantamento do Observatório de Políticas Públicas do Distrito Federal (ObservaDF), vinculado à Universidade de Brasília (UnB), indica que o Governo do Distrito Federal (GDF) não apresenta alto nível de endividamento, porém consome praticamente toda a receita que arrecada.
Segundo o estudo, o DF enfrenta dificuldades de fluxo de caixa desde 2015. Embora tenha havido melhora no período entre 2021 e 2023, o cenário voltou a se deteriorar em 2024, com perspectiva de impacto adicional devido à crise do Banco de Brasília (BRB).
A avaliação das contas públicas do GDF aponta um desequilíbrio estrutural entre despesas e receitas: enquanto os gastos correntes, especialmente com pessoal, são rígidos, a receita líquida apresenta maior instabilidade. Isso significa que o equilíbrio fiscal depende fortemente do desempenho da arrecadação, deixando pouca margem de manobra quando há frustração de receitas.
O estudo destaca que, apesar do baixo endividamento, o DF não consegue gerar poupança, o que limita investimentos, reduz a capacidade de enfrentar crises e dificulta a formação de reservas. Essa fragilidade torna a situação fiscal mais vulnerável às oscilações econômicas e às decisões de política fiscal, sobretudo em períodos eleitorais.
Os dados mostram que a pior situação de caixa ocorreu em 2016, com déficit superior a R$ 1,5 bilhão. Já em 2021 e 2023 houve superávits aproximados de R$ 900 milhões e R$ 400 milhões, respectivamente. Em 2024, entretanto, o resultado voltou a ser negativo, ultrapassando R$ 500 milhões.
Com isso, o DF passou a figurar entre os seis estados com pior posição de caixa no país. Embora o nível de endividamento seja reduzido, há elevado volume de despesas de exercícios anteriores.
A crise do BRB surge como um possível fator de impacto significativo nas finanças públicas. De acordo com os pesquisadores, uma eventual necessidade de aporte de recursos públicos, em um cenário de caixa deficitário e baixa poupança corrente, evidencia a limitada capacidade do GDF de absorver choques fiscais.